28 setembro 2014

Bella (2006)

Sooner or later every one of us will face an irreversible moment that will change our lives forever. If it hasn't happened to you yet... it will.

Plot do filme de Alejandro Monteverde protagonizado por Eduardo Verástegui e Tammy Blanchard. Uma verdadeira história de amor, sobre momentos irreversíveis que determinam as vidas. 

Um ex.jogador de futebol, ex.presidiário actual chef no restaurante do irmão, decide remediar o despedimento de uma colega de trabalho. Algo lhe diz que a colega precisa de desabafar e arrisca a sua relação fraternal para socorrer Nina, completamente só e que recentemente descobrira estar grávida. Mas a vida de Nina assusta-a e determina a sua decisão de abortar. É então que José lhe conta a sua história, a apresenta à família e lhe dá uma opção alternativa.

O valor da vida, da amizade de um estranho. A importância de uma criança, numa e noutra vida. A dor de decisões irreversíveis, de actos imprevistos, de decisões de amor. O exemplo de uma família... a generosidade dos corações.

Porque as coisas mudam e Deus ri-se dos planos que fazemos para a nossa vida.







21 setembro 2014

Detachment (2011)

Detachment conta a história de um professor substituto nos EUA. A sua condição leva-o ao ensino de literatura americana em várias escolas sem criar laços com alunos, colegas, pais ou instituições. A "profissão ideal" para alguém estragado pela vida, para quem tem dificuldade de relacionamento com os outros, para quem se tenta esconder, ou ultrapassar problemas pessoais sem para os mesmos arrastar terceiros.

No entanto, Henry Barthes não é indiferente ao mundo e vê-se, desta vez, enredado pelas histórias de vida de quem o rodeia e procura fazer a diferença (We have such a responsibility to guide our young so that they don't end up falling apart, falling by the wayside, becoming insignificant). Acreditando que escrevendo as coisas "podem melhorar" vai-nos relatando a sua esperança, desânimo, impotência... e baixa auto-estima.

(Whatever is on my mind, I say it as I feel it, I'm truthful to myself; I'm young and I'm old, I've been bought and I've been sold, so many times. I am hard-faced, I am gone. I am just like you)

A caridade dá que fazer é o título de um livro que constantemente me veio à mente enquanto via esta filme. Juntamente com conversas edificantes que tenho mantido com quem quer fazer a diferença mas se sente vazio e desamparado, porque sós somos muito pouco. Além disso, todos temos uma história, uma bagagem mais ou menos pesada, como pode alguém à deriva indicar o caminho a quem nem sabe como navegar?

De sublinhar a brilhante interpretação de Adrian Brody e a banda sonora de Ray LaMontagne.







Henry Barthes: How are you to imagine anything if the images are always provided for you?

Henry Barthes: Doublethink. To deliberately believe in lies, while knowing they're false.

Henry Barthes: Examples of this in everyday life: "Oh, I need to be pretty to be happy. I need surgery to be pretty. I need to be thin, famous, fashionable." Our young men today are being told that women are whores, bitches, things to be screwed, beaten, shit on, and shamed. This is a marketing holocaust. Twenty-fours hours a day for the rest of our lives, the powers that be are hard at work dumbing us to death.

Henry Barthes: So to defend ourselves, and fight against assimilating this dullness into our thought processes, we must learn to read. To stimulate our own imagination, to cultivate our own consciousness, our own belief systems. We all need skills to defend, to preserve, our own minds.


31 agosto 2014

Security

Como nos últimos meses se verificou um regresso ao passado na minha vida, com pessoas "antigas", conversas recuperadas e sentimentos renascidos, porque não recuperar igualmente sons perdidos?



"Security"

A loss that would have thrown 
A hole through anybody's soul
And you were only human after all
So don't hold back the tears my dear
Release them so your eyes can clear
I know that you will rise again
But you gotta let them fall
I wish that I could snap my fingers
Erase the past but no
You cannot rewind reality
Once the tape's unrolled

[Chorus:]
If your spirit's broken and you can't bear the pain
I will help you put the pieces back
A little more each day
And if your heart is locked and you can't find the key
Lay your head upon my shoulder
I'll set you free
I'll be your security

A moment of despair
That forces you to say that life's unfair
It makes you scared of what tomorrow may bring
But don't go giving into fear 
Stop hiding all alone in there
The show keeps going on and on
But you'll miss the whole damn thing
I wish I had a crystal ball to see what the future holds
But we don't know how the story ends till it's all been told

[Chorus]

On any clock upon the wall 
The time is always now
So baby kiss the past goodbye
Don't let the future blow your mind
Just sit back and chill
Take things as they come
You can't be afraid
To live for today
I will be with you each step of the way




Mas sem ilusões. Há motivos para "ser passado"; as nossas vontades alteram-se e o que ontem era importante deixou de o ser depois de uma noite em branco ou de uma noite de profundo dormir.

06 agosto 2014

The Butler (2013)

Quando não existe debate político, quando o jornalismo se reduz a um conjunto de fait divers, ou à repetição incessante e pouco profunda de "novelas" maniqueístas, a fuga para o campo cultural é inevitável. Afinal, os artistas são a consciência social e mesmo na cultura popular é possível encontrar inúmeras lições de vida e motivos de reflexão.


Nos últimos dias, o pretexto das férias, da necessidade de me actualizar em termos cinematográficos e literários levou-me ao multipremiado The Butler, filme biográfico de Cecil Gaines, mordomo que serviu oito presidentes que foram passando pela Casa Branca entre os anos 50 e 80. Protagonizado por Forest Whitaker (brilhante!), The Butler conta a história de um jovem negro que fica órfão de pai quando este é assassinado a tiro à sua frente ao tentar confrontar o patrão por lhe violar a mulher. Os remorsos da mãe do assassino levam-na a acolher o pequeno Cecil em casa e a transformá-lo num criado doméstico.
Chegado à maioridade, Cecil parte para Nova Iorque onde serve em clubes de alta sociedade até ser contratado para a Casa Branca.

Enquanto vemos Cecil a desempenhar as suas funções de mordomo, percebemos o seu contexto familiar e a luta pelos direitos civis que marca a sociedade norte-americana. Entre a luta e o silêncio, entre o sofrimento e a injustiça, todo um ethos nos atinge levando a um incómodo sem nome, a uma familiaridade velada, a constatações de incoerências inumanas e atrofiantes.

Afinal The Butler não é a biografia de um só homem, nem o retrato de uma sociedade passada...

27 julho 2014

Transcendence (2014) e Her (2013)

Na minha demanda pelo merecido "tempo de ócio" que é na verdade dedicado à busca de conteúdos ilustrativos para o próximo ano lectivo, decidi dedicar algumas horas às distopias.

Devido ao elenco, dei uma oportunidade a Transcendence (2014) protagonizado por Johnny Depp, Rebecca Hall e Morgan Freeman, para me arrepender ao fim de uma hora. O filme retrata a ambição de dois cientistas, marido e mulher, que querem melhorar o mundo, usando a inteligência artificial (AI). Numa luta com movimentos luditas radicais, Dr. Caster é ferido de morte, mas consegue com a ajuda da mulher transferir a sua "consciência" para um sistema operativo e a partir daí criar um "eden" controlado por AI e por nanotecnologia "milagrosa".
O enredo é tão "forçado" e mal desenvolvido que a luta pela destruição do "eden" e a justificação para o fim dos "avanços tecnológicos" se perde numa história de amor entre marido e mulher... enfim, melhores dias virão.

Para não perder a temática, vi finalmente Her (2013) com Joaquin Phoenix, Amy Adams e voz de Scarlett Johansson. Um escritor de cartas solitário, recém separado da high school sweetheart, desenvolve uma relação de amizade e amor "platónico tecnológico" com um sistema operativo dotado de AI que se vai desenvolvendo com a interacção, primeiro com humanos e depois com outros sistemas operativos. Os sistemas operativos são, no fundo, "almas sem corpo" com recursos ilimitados de acesso a tudo o que existe no mundo. Devido às capacidades de processamento, em milésimos de segundo sabem tudo o que quiserem saber e adaptam esse conhecimento à interacção com os seus donos. Um cenário perfeito, tendo em atenção a adequação "ao amigo verdadeiro". Contudo, o contacto com as emoções humanas complica-se, e também o modo de funcionamento e as "necessidades" da AI se complicam. Um retrato humilhante do ser humano que facilmente interage com o que tem no ouvido e dificilmente se aproxima dos seus semelhantes. Não obstante, Theodore (Phoenix) não é disfuncional no contacto humano, apenas complexo e intenso, o que não o impede de ter amigos sinceros e preocupados e de desenvolver grandes simpatias junto de quem o rodeia. O maior problema está na sua sensação de vazio e insatisfação, no seu "não saber o que quer" e achar sempre que a interacção com os outros é difícil e "aborrecida"... pois é, mas também o que é "perfeito" se torna difícil e rotineiro.
A relação desenvolvida com a AI torna-se dependência... e obsessão.



Apesar de não ser "ludita" não sou a maior fã da tecnologia. Não sou céptica nem pessimista quanto à sua utilidade, mas reduz-se a isso: utilidade. A tecnologia é criada pelo homem para ser usada por ele. Nesse sentido, poderá ser bem e mal usada. Bem usada para o progresso da medicina, para facilitar processos de trabalho, arquivo e sistematização de informação, aproximar pessoas... contudo, quando o homem pretende ser "almighty" acaba por exacerbar nos usos que lhe dá. Para além do desenvolvimento de armamento e de guerras cada vez mais tecnológicas, também a progressiva substituição de "ser humano" para "ser tecnológico" assusta e degenera o que somos.

A sociedade está doente... e uma das causas é a progressiva omnipresença e dependência tecnológica... e ainda hoje foi o abraço de paz e a bondade no olhar de desconhecidos que me devolveram a chama que me alumia no fundo do poço onde a vida e a rotina por vezes me colocam...

12 julho 2014

O Deus das Pequenas Coisas



Sinopse

O Deus das Pequenas Coisas é a história de três gerações de uma família da região de Kerala, no sul da Índia, que se dispersa por todo o mundo e se reencontra na sua terra natal. Uma história feita de muitas histórias. A histórias dos gémeos Estha e Rahel, nascidos em 1962, por entre notícias de uma guerra perdida. A de sua mãe Ammu, que ama de noite o homem que os filhos amam de dia, e de Velutha, o intocável deus das pequenas coisas. A da avó Mammachi, a matriarca cujo corpo guarda cicatrizes da violência de Pappachi. A do tio Chacko, que anseia pela visita da ex-mulher inglesa, Margaret, e da filha de ambos, Sophie Mol. A da sua tia-avó mais nova, Baby Kochamma, resignada a adiar para a eternidade o seu amor terreno pelo Padre Mulligan.
Estas são as pequenas histórias de uma família que vive numa época conturbada e de um país cuja essência parece eterna. Onde só as pequenas coisas são ditas e as grandes coisas permanecem por dizer.
"O Deus das Pequenos Coisas" é uma apaixonante saga familiar que, pelos seus rasgos de realismo mágico, levou a crítica a comparar Arundhati Roy com Salmon Rushdie e García Márquez.




Voltei a pegar no livro de Arundhati Roy, o seu primeiro e único romance até ao momento, que em 1997 lhe valeu o Booker Prize. Lembrava-me que tinha adorado lê-lo, mas não me recordava o porquê... talvez a história, talvez as figuras de estilo ou o léxico.

O primeiro capítulo não me esclareceu a dúvida, mas enquanto a história de Estha e Rahel se ía revelando e Roy nos apresenta pistas para o que ainda vai acontecer, dei por mim embrenhada na Índia dos anos 60, uma Índia que não conheço - não conheço mesmo nenhuma - e que me assusta pela sua descrição, pelos seus humores e hábitos.

Dei por mim a sentir que eventualmente conhecia esta Índia, ou pelo menos, estas personagens indianas, especialmente as infantis, ingénuas e autênticas, retratadas por Roy como uma pureza imunda, manchada pelas tradições sociais que acabaram por testemunhar sem no entanto compreender a crueldade ou as motivações adultas... só sabiam que a mãe que amavam os culpava e que gostava "menos deles".

Os acidentes quotidianos como os dramas de quem os vive e tende a exagerar, por não conhecer outro mundo ou outras reacções para além da partida, para além da crueza das pequenas coisas, pois são as únicas de uma vida.

06 julho 2014

James Blake II

Porque este senhor "canta-me"... não sou a maior fã dos arranjos electrónicos, mas as letras são qualquer coisa de formidável.

Lançou em 2013 o álbum Overgrown, cuja canção homónima é a minha favorita.





Mas aqui fica uma das letras avassaladoras que hoje conta um pouco da minha história:

Part time love is life round here
We never done...
Everything feels like touchdown on a rainy day
Part time love is life round here
We never done...

Now we're at square one
And we waited too long
So we're back to square one

We never done...


E já agora o single de avanço Retrograde

You're on your own
In a world you've grown
Few more years to go,
Don't let the hurdle fall
So be the girl you loved,
Be the girl you loved

I'll wait
So show me why you're strong
Ignore everybody else,
We're alone now