11 Março 2012

Jodaeiye Nader az Simin (a separation)

Filme iraniano realizado por Asghar Farhadi e vencedor da categoria de melhor filme estrangeiro (óscares 2012). Com brilhantes interpretações de Leila Hatami, Sareh Bayat e Peyman Maadi. Um justo vencedor diria, mas não tenho termos de comparação pois não vi mais nenhum dos nomeados.


A separation conta a história de uma família iraniana. A mulher Simin quer sair do Irão, emigrar para proporcionar uma melhor educação à filha. Mas o marido Nader tem um pai acamado de quem tem de cuidar e que não quer abandonar. Decidem então divorciar-se, mas Simin não consegue deixar a filha para trás e vai apenas viver com a mãe.

É então que Nader contrata uma empregada para o ajudar com o pai doente, mas a cultura iraniana é muito diferente da ocidental e compreendemos os contrangimentos sofridos por Razieh, muçulmana devota e temerosa do marido. Entre mal entendidos, Razieh perde o filho, é acusada de roubo e Nader acusado do assassino do bebé.

Um drama que não pode ser visto de ânimo leve face ao desconcerto das tradições, dos preceitos e da desigualdade de géneros que se vive no Médio Oriente. Revolta, especialmente porque verificamos que afinal todos somos seres humanos que simplesmente não dizem as palavras certas no momento certo. As palavras salvam situações na mesma medida que provocam problemas. A dificuldade está em saber que palavra para que momento.

26 Fevereiro 2012

The Help (2011)


Provavelmente um dos retratos mais trágico-cómicos da luta dos direitos civis e do racismo americano dos anos 60. Ao primeiro impacto julguei estar perante um "dramalhão" e preparava-me para a lágrima. Afinal a pergunta: "como se sente a criar os filhos dos brancos quando o seu filho está em casa a ser criado por outra pessoa qualquer?" denota um conflito interior que dificilmente sara. Particularmente quando a resposta é: "o meu filho morreu".

O filme desenvolve-se em torno de uma quantas donas de casa manipuladas por Hilly Holbrok mostando os comentário desumanos que faz sobre as serviçais negras e o trabalho que estas fazem e a sua submissão. Vemos uma Aibee a cuidar de uma bebé incutindo-lhe princípios de auto-estima e valorização perante o abandono da mãe, mais preocupada com o bridge do que com o carinho para a filha. Vemos o amor dessa criança para com a serviçal que a abraça e ama, como só um bom ser humano pode amar.

Até que entra em cena Skeeter, aspirante a escritora, mulher solteira, inteligente e determinada. Skeeter resolve ouvir e contar as histórias das serviçais. As peripécias sucedem-se, entre momentos de humor e desespero, entre intolerância, amizade e respeito.

Com as brilhantes interpretações de Viola Davis e Octavia Spencer, destaque ainda para a determinada Emma Stone, para a desastrada Jessica Chastain e para a "cruela" Bryce Dallas Howard.

Poderá não arrecadar Óscares da Academia, afinal direitos civis não estão propriamente na ordem do dia, contudo é o meu favorito (entre todos os nomeados que vi: the descendants, midnight in Paris, the tree of life).

The Descendants (2011)

Uma história de família contada por Kaui Hart Hemmings e recontada por Alexander Payne.

A crítica apontou a "castração" de George Clooney que surge como pai de família com a tarefa de se reconciliar com as filhas depois de um acidente fatal da mulher. Mulher que descobre ter sido adúltera ao mesmo tempo que descobre que devido ao trabalho se afastou da família que mal reconhece. Nada e novo nos tempos modernos, Matt é um advogado bem sucedido, administrador de uma ilha do Hawai que os primos e a família querem vender, mas que os nativos querem manter prestina. Com o acidente de Elizabeth, Matt reaprende a viver, vê-se a braços com a necessidade de tomar grandes decisões: venda do terreno, desligar as máquina de suporte de vida, confrontar o amante da mulher... educar as filhas. Neste contexto, Clooney não tem tempo de ser homem nem sedutor, isso apenas acontece na vida fútil e rotineira, não quando a vida nos exige grandes esforços: tomar decisões, fazer escolhas.

Um dos filmes que hoje poderá ganha Óscares em Hollywood. Provavelmente o de argumento adaptado. Se eu decidisse também estaria nomeado para banda sonora, mas não está! Fica no entanto a chamada de atenção para: música havaiana fabulosa, pungente, a acompanhar paisagens maravilhosas e silenciosas.


Uma família parece-se muito com um arquipélago, todos fazem parte de um todo, mas ainda assim separados e sós, sempre cada vez mais longe.

11 Fevereiro 2012

excerto

 "Há um ano, disse-te palavras que nunca te diria nem nunca te direi. Há um mês, quis-te dizer palavras outras, que nunca te disse mas que ainda te podia dizer. Hoje? Hoje nada te digo. Sou para ti como tu própria, em segredo, te revelas aos que realmente te querem: noite, ausência, frio, silêncio. Lembras-me o enorme vazio que perfaz os grandes vendavais de mistério. O teu amanhã, o meu amanhã, o nosso amanhã apenas saberá cantar a melodia do teu medo eternamente inconfessado e disfarçado de euforia em perpétuo movimento."
 
(Excerto de uma carta de Aristides dos Santos, 
enviada de Neuchâtel para Lisboa, a uma certa Cidália Pedrosa, 12-11-1982)

30 Janeiro 2012

Midnight in Paris (2011)



O único filme de Woody Allen que vi por completo. Tentativas anteriores levaram-me a ver 10 minutos do Match Point, 5 do Scope e por aí fora. Não conseguia passar do início e isso condicionava qualquer motivação fruto de recomendações múltiplas e de críticas positivas. Não sei se o problema estava no realizador-actor, se na imobilidade de cena concentrada nos actores... não sei, havia um entrave.

Mas com esta comédia romântica foi diferente, talvez porque a sequência inicial é constituída por planos maravilhosos sobre "a minha cidade". Minha e de muita gente, quem nunca se imaginou a passear ou a viver em Paris? Paris a cidade das Luzes, cidade da bailarina vaidosa (Torre Eiffel), do Sena, da Madeleine, do Sacré-Coeur, de Montmartre... e poderia fazer enumerações durante toda a manhã. Já me perdi/encontrei em Paris, uma das minhas cidades preferidas, definitivamente a minha capital europeia preferida!

Já por lá gastei as solas dos sapatos e apesar de não ter esbarrado em artistas do passado, na vida boémia dos anos 20 ou da Belle Époque a empatia criada com Gil Pender (Owen Wilson) foi praticamente imediata. Não só porque aquela noiva, família e amigos eram execráveis, mas principalmente pela sua paixão pela cidade, pelo seu ar, pela chuva de Paris... não há coisa mais revigorante do que uma chuva de verão sob as margens do Sena (ou num Batteau Mouche no próprio Sena)...

Gil Pender é guionista de cinema em Hollywood. Bem pago mas com um sentimento de insatisfação com a vida que leva. E quando estamos insatisfeitos com o nosso presente sonhamos com o passado ou com o futuro. No caso de Gil ficamos a saber que sente ter nascido tarde de mais, falta-lhe o significado do passado, pois o presente é demasiado vazio, oco e sem essência. A sua nostalgia e inadaptação ao presente fá-lo sonhar com os anos 20 parisienses, anos da música de Cole Porter, da pintura de Picasso, Mondigliani, Matisse e da literatura de Scott Fitzgerald, Hemingway, T. S. Eliot... e é enquanto passeia sozinho por Paris que lhe é oferecida boleia para outro tempo, exactamente à meia-noite.

Gil viaja até aos anos 20 e conhece os seus heróis. Ganha coragem e mostra o manuscrito de um romance a Gertrude Stein e a Hemingway, apaixona-se por Adriana, amante de Picasso... e descobre que o seu desejo pelo passado - pela época de ouro - é apenas uma necessidade infinita de fugir de um presente que o torna infeliz. É nas suas múltiplas viagens, à meia noite, a épocas de outrora que Gil recupera a certeza do que é importante.

Em Paris, claro! (onde é que eu já vi isto?...)

19 Janeiro 2012

Real Steel (2011)

Num futuro não muito longínquo o boxe deu lutar a lutas entre robots. Máquinas de puro aço e circuitos microelectrónicos alimentam o mundo das apostas e constituem a razão de existir de Charlie Kenton, um ex-pugilista resignado e atolado em dívidas. O jeito para o negócio acompanha o jeito para as relações interpessoais e quando tem conhecimento do falecimento da ex-namorada mãe do filho, Max, rapidamente abdica da custódia do mesmo.
Contudo, quer o destino que Max passe uma temporada com Charlie, e como qualquer rapaz de 11 anos, Max apaixona-se pelo mundo dos robots lutadores.
Ao acompanhar o pai no roubo de peças para montar um robot Max quase morre ao cair numa ravina mas é salvo por um robot abandonado no ferro velho. Max decide recuperar Atom e quase surge uma química entre ambos. O apego de Max a Atom levam-no a convencer Charlie que Atom pode lutar e ajudá-los a ganhar dinheiro que tanta falta faz a Charlie.
É então que Atom se torna uma estrela e que Charlie percebe o verdadeiro valor da amizade, da fé nos seres humanos e acima de tudo recupera a sua auto-estima.


Como é que eu acabei a ver um filme de robots? Hugh Jackman... Mas o filme acabou por se tornar uma agradável surpresa. Jackman é novamente um anti-herói. Já se tornou cliché: o endividado, que faz más opções e não liga às pessoas, mas o pequeno Max, com a atitude sincera e combativa, desarma até o mais empedernido dos "pobres coitados". O puto é destemido, teimoso e decidido. Sabe o que quer e tem noção que o pai tem as prioridades todas trocadas. No fundo, ficamos na dúvida sobre quem é o miúdo neste filme.
Este filme é uma história de regeneração: de um homem perdido, de um pequeno órfão, de um robot deitado para o lixo, de uma mulher apaixonada e órfã.
Uma lição para quem anda com os conceitos trocados, para quem se julga invencível, para quem julga que "nunca vai cair" e para quem julga pelas aparências.

10 Janeiro 2012

Aurea

 Foi com Busy que se deu a conhecer a Portugal. O primeiro avanço do album homónimo mostra uma intérprete de fusão entre o jazz e o blues, com uma sonoridade heritage, na senda da britânica Duffy. Aproveitando as semelhança - ou a originalidade no panorama português - Aurea tem um início de carreira fulminante.




Okay Alright




it's time to take a deep breath
close your eyes and let yourself go
slow

there's a long and open road
laying on my way now
i don't need to stop and think about it
'cause my heart will guide me through

you don't need to promise me the moon
just sit with me and watch the moonlight
then every little star will sing this song
and if you feel good, come on
just sing along

i'm okay, i'm alright
i got good fellings on my mind
i'm okay, i'm alright
with you (bis)

love is like a tiny sparrow
you can't hold it on a cage no no you can't
it flies free through the morning breeze
only guided by a wild warm heart




Mas enquanto não se torna hit eu vou ouvindo The Only Thing that I Wanted 

You said to me
I don´t understand you
And there´s nothing you can say
To change my ways

I said to you
The sun is out, the sky is blue
And you´re worried
About changing bulbs in your room

If you sit with me outside
And feel the breeze blow your thoughts
If you let the wind decide
What will you say right now

The only thing that i wanted
Was a strong soul that could save me from my tears
The only thing that i needed
You just failed to understand my heart

You said to me
I don´t understand you
Don´t try to make a fool
Out of me

And i said to you
The little snail will carry on
Through the largest leaf
He finds out in the garden

If you lookk inside my soul
If you tickle my heart feet
You would find an yellow basket
Filled up with hmmmm.

The only thing that i wanted
Was a strong soul that could save me from my
Tears
The only thing that i needed
You just failed to understand my heart