09 setembro 2007

Grey's Anatomy

"Grey's Anatomy" é uma série americana da ABC, que entra agora na 4ª season e que conta a movimentada vida de um grupo de médicos que acabam de deixar as salas de aula para se tornarem estagiários do programa cirúrgico mais rígido de Harvard no fictício Seattle Greace Hospital, em Seatle, Washington.

A protagonista da série, que mistura drama e humor, é Meredith Grey (Ellen Pompeo), filha de uma famosa cirurgiã, mas que luta para conquistar seus objectivos sem ajuda da mãe. Há ainda os personagens Cristina Yang (Sandra Oh), Isobel "Izzie" Stevens (Katherine Heigl), uma rapariga do interior que cresceu na pobreza e que posou lingerie para pagar o curso de Medicina, George O'Malley (T.R. Knight), o Bambi romântico, dedicado à família e eternamente 'amigo' das mulheres , Alex Karev (Justin Chambers), que disfarça suas raízes na classe operária com arrogância e ambição, e os médicos Derek 'McDream' Shepperd (Patrick Dempsey), Miranda 'Nazi' Bailey (Chandra Wilson), Preston Burke (Isaiah Washinghton), Addison Montgomery (Kate Walsh), entre outros.

A série fala das dificuldades do dia a dia deste grupo de jovens médicos num “mundo” onde a aprendizagem pode ser uma questão de vida ou de morte, não esquecendo que todos têm problemas nas suas vidas pessoais/amorosas.

Destaque para as relações de amizade que se fortalecem apesar dos problemas, os diálogos non-sense que afinal fazem todo o sentido, e acima de tudo, o retrato de como as personalidades das pessoas são diferentes, totalmente diferentes, mas no entanto, no final, formam um puzzle magnífico onde é retratada uma paisagem deslumbrante.


PS: Ai McDreamy!

08 setembro 2007

Folia! Mistério de Uma Noite de Pentecostes



Na celebração do centenário do nascimento de Agostinho da Silva, Paulo Borges, um dos seus principais estudiosos, publica Folia! Mistério de Uma Noite de Pentecostes, uma 'história' romanceada sobre o V Império, a Idade do Espírito Santo, o Grande Monarca e a decadência. Mitos estruturantes do ser português onde se misturam tempos e épocas, o sagrado e o profano, a história e a crença, a vida e a morte.

Uma excelente adaptação do Teatro Tapafuros no único local em que semelhante peça poderia ser representado: Quinta da Regaleira, na Serra da Lua (Sintra). Local mágico, onde se reúnem todas as energias telúricas, todas os símbolos e arquétipos da humanidade.

«Folia ! Mistério de uma Noite de Pentecostes constituiuma recriação dos momentos fundamentais da Festado Espírito Santo, desde a sua origem medieval, refundada pela Rainha Santa Isabel, até à actualidade, tal como ainda se celebra no Penedo, nos Açores, no Brasile nas comunidades de emigrantes americanos.Tendo conhecido, desde o século XIII ao XVI,uma invulgarmente rápida e vasta expansão, no continente, ilhas e colónias – sendo mesmo celebrada a bordo das naus da Índia - , a Festa foi considerada por Jaime Cortesão, António Quadros, Natália Correia, Lima de Freitase Agostinho da Silva um dos fenómenos mais específicose simbolicamente emblemáticos da cultura portuguesae lusófona e da sua vocação ecuménica e universalista. Desde Jaime Cortesão que os Painéis atribuídos a Nuno Gonçalves, obra maior e paradigmática da arte portuguesa, estão associados ao Culto do Espírito Santo. Folia ! propõe a recriação em termos contemporâneosda experiência da iniciação e da festa comunitária, associada a uma viagem pelo imaginário mítico, histórico e cultural português. Considerando que a Festa do Espírito Santo, herdeira de formas arcaicas e medievais do “sagradode transgressão” (Roger Caillois), como as Saturnais,os ritos transmontanos do Solstício de Inverno e a Festados Loucos, bem como da experiência da superabundância cósmica e espiritual própria do Pentecostes hebraicoe cristão, expressa o “mundo às avessas” e ritualizauma transformação iniciática da consciência, visa-se renovar essa eficácia operativa nas condições da vidae da mentalidade contemporâneas.Oferece-se assim um Teatro vivo e operático, que reassume as suas origens no rito iniciático, propondo-se uma profunda interacção entre actores e público em torno dos três acontecimentos fundamentais da Festa: a Libertaçãodos Presos, a Coroação do Imperador e o Bodo comunitário. Beneficiando das condições oportunas oferecidas pelas estruturas simbólicas da Quinta da Regaleira, a Libertação dos Presos vive-se num percurso em que somos convidados a libertarmo-nos de tudo o que encobre e oprime a nossa natureza profunda, descendo na terra e nas trevase ascendendo para a luz (catábase e anábase), a Coroação do Imperador é uma experiência comunitáriade reconhecimento da natureza sagrada de todos e de tudo e o Bodo é a comunhão e celebração disso, a Festada Alegria e da Abundância, onde são vitais o pão e o vinho, a poesia, a música e a dança, culminada com a descidadas Línguas de Fogo do Espírito. [Paulo Borges]


Têm medo de morrer?! porquê? se já estão mortos!!!
Pedem ao Diabo que vos salve, em nome de Deus?!



PS: Carla, que poderosa! Viva a Folia do Espírito!!!

03 setembro 2007

Véspera da Água (Eugénio de Andrade)



Tudo lhe doía
de tanto que lhes queria:

a terra
e o seu muro de tristeza,

um rumor adolescente,
não de vespas
mas de tílias,

a respiração do trigo,

o fogo reunido na cintura,

um beijo aberto na sombra,

tudo lhe doía:

a frágil e doce e mansa
masculina água dos olhos,

o carmim entornado nos espelhos,

os lábios,
instrumentos da alegria,

de tanto que lhes queria:

os dulcíssimos melancólicos
magníficos animais amedrontados,

um verão difícil
em altos leitos de areia,

a haste delicada de um suspiro,
o comércio dos dedos em ruína,

a harpa inacaba
da ternura,

um pulso claramente pensativo,

lhe doía:

na véspera de ser homem,
na véspera de ser água,
o tempo ardido,

rouxinol estrangulado,

meu amor: amora branca,

o rio
inclinado
para as aves,

a nudez partilhada, os jogos matinais,
ou se preferem: nupciais,

o silêncio torrencial,

a reverência dos mastros,

no intervalo das espadas

uma criança corre
corre na colina

atrás do vento,

de tanto que lhes queria,
tudo tudo lhe doía.


[parem de me tentar consertar, não estou partida. apenas dorida. daquelas dores que não matam, apenas fazem crescer, e tal como cada osso cresceu sozinho, cada ferida há-de sarar da mesma forma. "eu sou aquela que todos olham mas ninguém vê"]

02 setembro 2007

Mother Teresa: Come Be My Light


* Jesus tem um amor muito especial por si. Em relação a mim, o vazio e o silêncio é tão grande, que olho e não vejo, escuto e não ouço.

* Na minha própria alma, sinto a terrível dor da sua perda. Sinto que Deus não me quer, que Deus não é Deus e que ele não existe realmente.



As palavras são de Madre Teresa de Calcutá. Que dedicou a sua vida aos pobres, em quem acreditava estar Cristo. Mas as suas acções e as suas palavras contradizem-se, pois se as obras falam por si, surgem a público cartas onde Madre Teresa confessa e lamenta a sua «secura», «escuridão», «solidão» e «tortura». Referindo que há muito que deixou de sentir Cristo na sua vida, há muito que perdeu a fé e que se alguma vez fosse santa, seria uma santa da escuridão. A abnegação de uma vida em prole de um ideal maior, de um fazer por necessidade opõem-se ao sorriso aberto, mas cansado, talvez triste mas nunca ausente... resignado sim!
O cumprimento de uma missão exige sempre o esforço pessoal, implicando, por vezes, deixarmos de olhar por e para nós, para ver os outros e servi-los. Em nome de deus, de um deus qualquer, mas concerteza em nome das nossas crenças e convicções, de acordo com a nossa vontade, ou coração. deus é apenas um pretexto, por falta de coragem de assumir-mos que precisamos de nos dar aos outros para nos sentirmos um pouco melhor. E a solidão surge apenas porque... também precisamos que os outros nos encham. Infelizmente... a verdadeira justiça não é deste mundo!


*Excertos do livro: "Mother Teresa: Come Be My Light" (edição: Brian Kolodiejchuk, a publicar em Setembro no 10º aniversário da morte de Madre Teresa)

01 setembro 2007

Something Has Broken


Well I lay down
With no will to show you who I am
I just walk away
'cause I'm tired of seeing how messed up you are
It's rotten, so jealous I searched and kept my distance
Yes, I did
'cause it's not worth
Fighting against all of you losers

It seems like I'm giving up
It seems I am lost in time
It seems my term expired
If you paid some attention you'd see I might lose my mind

Well I woke up
I’ve had enough of your unfinished business
I won't resist
'cause that's what you want but I won’t play a part in your game
It's easier to change and be a stranger to ourselves
Yes, it is
But it's not worth
Wrecking my health and my precious youth

Something has broken



[Do álbum Catharsis dos Fingertips. De longe o meu álbum favorito desta banda portuguesa. Hoje o Something has broken mas poderia ser o You're gone ou o Time of sweet Delusions, ou mesmo o Mellancholic Ballad de outros tempos. É assustador quando percebemos que sempre soubemos o que era, como era, porque era e como nos tentaram e se tentaram convencer de que não era assim. A manipulação, a negação, o embuste... e, no entanto, sempre a evidência do que é, sem ilusão, correndo sempre o risco do que hoje se concretiza: as lágrimas... guardem as palavras, os silêncios, os olhares... eu só quero chorar! e estou muito cansada de dizer como é a quem não quer ouvir, a quem não quer falar, a quem nem quer saber.]

22 agosto 2007

forever - Kamelot


there's a pain within
that I can't define
there's an empty space
where your love used to shine
from the night we met
till the day you died
do you think I wished
do you still believe I tried
all too soon we were divided
and life had just begun

will you revive
from the chaos in my mind
where we still are bound together
will you be there
waiting by the gates of dawn
when I close my eyes forever

I belong to you
you belong to me
it's the way things are
always meant to be

like the morning star
and the rising sun

you convey my life
and forgive me what I've done

all too soon we were divided
into darkness and light

will you revive
from the chaos in my mind
where we still are bound together
will you be there
waiting by the gates of dawn
when I close my eyes forever

save me
reverse how I'm thinking of you
every breath I take
brings me closer
closer to forever, to you
I'm waiting for the day that I'm gone



[estou longe, tão longe de mim... e agora só a música me lembra o que sou, o que sinto, o que tive, o que perdi, o que quero e não quero... estou longe, tão longe de ti! e nunca pensei perder-me assim]

15 agosto 2007

A Ilha do Arcanjo

[Foto: Kisa - Vista do Rei - São Miguel - Açores]

Eu vos direi da ilha que na dorna
do Arcanjo é eterna em chão escasso.
Fulva de gado ao dia. À noite, morna.
Embebida no verde. E o mar colaço.

Ilha do alumbramento em templo torna
a unção de contemplar. Um ténue traço
de garça entre água e céu. A paz se escorna
em lagoa e lavoura o tempo e em espaço.

Tanto silêncio confiado à luz!
Treme um nenúfar se um trilo tremeluz
Caiam o sol de azul os agapantos.

Na cevadeira a broa luminosa,
romeiros nos persignam com uma nova rosa
Suas rezas joeiram pombos santos!



in «O dilúvio e a pomba» by Natália Correia
[as minhas palavras serão sempre pequenas para o dizer, ou sequer para da Ilha falar... os adjectivos são parcos, a emoção demasiado intensa e diria mesmo: de outro mundo! Obrigada Arcanjo!]