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24 julho 2013

Manifesto Maubere

A cultura é a memória

de um povo que não morre!

A acção é a história
de um povo que não morre!

Ouviram?
Ouviram bem?

A vida é a liberdade
de um povo que não morre!

A independência é a vontade
de um povo que não morre!

Ouviram?
Ouviram bem?

A justiça é a oferta
de um povo que não morre!

A luta é a descoberta
de um povo que não morre!

Ouviram?
Ouviram bem?


[Fernando Sylvan, 1982]


Resistência Timorense Arquivo & Museu (Dili, Timor-Leste, visita a 24/07/2013)

16 junho 2013

Malick

Terrence Malick é talvez o escritor, produtor e realizador americano mais inquietante da actualidade, ou pelo menos, o que mais me inquieta. As plots prometem: a multi aclamada e recomendada Árvore da Vida foi para mim uma viagem estética com uma sequência "espiritual" de versos (ver post mais antigo). 

Já a Essência do Amor - talvez a primeira vez que o título em português faz mais sentido que o original - é apresentado como uma viagem fabulosa à Merveille (Mont Saint Michel), o que ido o ano de 2008 foi para mim a life changing experience. 

Ver um filme pensando no monumento situado entre a Bretanha e a Normandia é uma frustração, pois o mesmo aparece por breves minutos, a partir do ponto de vista de uma das personagens, por sinal a mais instável e aparentemente, sob constante efeito psicotrópico.
Infelizmente, o filme é pouco mais que o delírio de Marina, que tanto quer ser amada, que se farta de toda a ternura e até da própria filha. E eu fico sem perceber como é que alguém é tão infantil e caprichoso, pode ao mesmo tempo cativar todos à sua volta, levando-os às maiores asneiras: mas se calhar a vida é mesmo um sonho na qual estamos autorizados a cometer todos os erros (Life's a dream. In dream you can't make mistakes. In dream you can be whatever you want).

O melhor do filme acabam por ser as narrações de Javier Bardem (Father Quintana):
We wish to live inside the safety of the laws. We fear to choose. Jesus insists on choice. The one thing he condemns utterly is avoiding the choice. To choose is to commit yourself. And to commit yourself is to run the risk, is to run the risk of failure, the risk of sin, the risk of betrayal. But Jesus can deal with all of those. Forgiveness he never denies us. The man who makes a mistake can repent. But the man who hesitates, who does nothing, who buries his talent in the earth, with him he can do nothing.

Sobre o amor humano e divino:
There is love that is like a stream that can go dry when rain no longer feeds it. But there is a love that is like a spring coming up from the earth. The first is human love, the second is divine love and has its source above.


27 outubro 2012

Passeio por El Prado


Em mais um contributo para diminuir as zonas negras europeias no meu mapa, perdi-me por Madrid. Não bem perdida, o que me levou à capital espanhola era bem racional e foi bem planeado, ao contrário da visita, para a qual nem mapa tinha e nem sequer me passou pela cabeça que o fuso horário e a chuva me poderiam atrapalhar os planos habituais de deambulação pela cidade.

De vésperas decidi que teria de visitar alguns ex libris dos que aparecem nos Top 10 de Madrid e claro o Museu do Prado encabeçava essa lista. Existem guias e recomendações e críticas e... - sei lá mais o quê - que definem quais as obras must see, mas nunca fui muito de establishment e em termos de pintura a Mona Lisa e tudo o que sejam retratos passam-me totalmente ao lado (portanto desculpa lá oh Caballero "obra-emprestada" pelo Metropolitan Museum of Art de New York do Velàzquez mas nem te veria se não me tivessem oferecido um flyer).

Mas do Velàzquez amo a Coroação da Virgem (1635) e o Cristo Cruxificado (1632).

Coroação da Virgem, por Velazquez

Cristo Crucificado, por Velazquez


E já agora do grande El Greco inspirador dos surrealistas destaco: Trindade; BaptismoCoroação; Sudário; Pentecostes; e claro...

Cristo a carregar a Cruz (1602), por El Greco



Curiosamente, algumas maravilhas que me captaram o olhar são mesmo recomendadas, tais como:

Anunciação (séc. xv, versão do Museu do Prado), de Fra Angelico 

- Postal de Natal em algumas ocasiões -


The Dead Christ Supported by an Angel (1475-78), por Antonello de Messina

The Descent from the Cross (1435)Rogier van der Weyden

Table of the Mortal Sins (séc. xv) El Bosco



Verdadeiramente impressionada fiquei com as obras (para mim desconhecidas, apesar de em alguns casos, já ter ouvido falar nos seus autores):

La Caridad Romana (1851, mármore), Antonio Sola
Na escultura, Sola representa uma filha a amamentar o pai prisioneiro para que não morra de inanição. Um exemplo de caridade, mas também símbolo de retribuição a quem dá a vida e que no fim de um ciclo precisa que a mesma lhe seja devolvida.

Triumph of death (1562), by Pieter Brueghel the Elder

Talvez a obra mais conhecida deste pintor. Não sei se pelo momento que vivemos, só agora reparei na mesma e a sensação foi avassaladora. E não me chocam apenas os corpos caídos, os animais famélicos... chocam-me sim os esqueletos vivos que tocam instrumentos musicais, que fazem a festa na ilusão de estarem vivos, quando não são mais do que cadáveres adiados.

Three Ages of Man and Death (1510), por Hans Baldung Grien

Continuando na morte... um trabalho a que é impossível ficar indiferente.

Dedicada a Goya estava a exposição das suas Pinturas Negras (devido ao pigmento predominante, mas também aos temas retratados). Da mesma, faziam parte Colossus, Saturno a Devorar o filho (1819-1823) e Witches Sabbath (The Great He-Goat)  (1819-1823).

Colossus, por Goya Y Lucientes


Conheci igualmente novos nomes com trabalhos notáveis, como o retábulo de Mabuse, a Última Ceia e as obras dedicadas ao martírio de Santo Estêvão (primeiro mártir cristão) de Juan de Juanes, a Anunciação de Juan Correa de Vivar; e a Santíssima Trindade de José de Ribera.

Christ between the Virgin Mary and Saint John the Baptist (1510-15), por Jan Mabuse 


Última Ceia (1562), por Juan de Juanes

The Annunciation (1559), por Juan Correa de Vivar


The Holy Trinity (1635), de José de Ribera

Destaco ainda: São Sebastião de Guido Reni; Santa Veronica de Bernardo Strozzi; o São Francisco confortado por um anjo de Francisco Ribalta; e o estilo de Giambattista Tiepolo.




Claro que a temática religiosa é dominante na arte presente no Museu do Prado, ou não fosse a colecção oriunda de palácios fruto das ofertas e aquisições de reis e nobres coleccionadores. O esbanjamento de outrora permite encher museus e galerias; o de hoje em dia enche garagens ou desaparece no espectro, tal a futilidade dos consumos.

Curiosidade (isto é uma pintura de quadro tradicional e o tampo de uma mesa de apoio) as colagens pós-modernas devem ter começado com este senhor Charles-Joseph Flipart (1721-1797).

Mesa revuelta con pinturas, zanfonía, libros y otros objetos de trampantojo (1779), por Charles-Joseph Flipart

21 julho 2012

52ºC


quando se sobrevive a 52ºC em pleno Deserto da Judeia reavaliamos a importância da coragem e da vontade no nosso quotidiano.
quantas vezes o "não consigo" nos impede de ir mais além?
quantas vezes o "não sei" esconde apenas o medo?
quantas vezes o "não posso" representa o apego à nossa rotina?

sobreviver ao deserto foi uma prova e uma lição, especialmente tendo em conta que durante 10 dias o alimento foi reduzido a pão, água, omari, papas de aveia, arroz, beterraba e cenouras cozidas.

E se o corpo sobreviveu, o espírito renasceu na alegria da partilha, do conhecimento e da vivência histórica.


26 abril 2012

Pavia

Pavia é daquelas cidades com o tamanho certo para se caminhar e ficar deslumbrado. De pequenas vielas renascentistas, de cores quentes e monumentos originais. É a cidade italiana (das que conheço) menos barulhenta, de vida mais calma... sem deixar de ser humana, por vezes demasiado humana como constato nos grafitis pelas paredes e nos indigentes.
É a terceira vez que vou a Pavia, e das 3 vezes descobri uma cidade diferente. Primeiro o rio Ticino, a aldeia dos pescadores, a sala Scarpa na Universidade, a gastronomia, a envolvente da Certosa, os arrozais... Da segunda vez, San Pietro in Cielo d'Oro e Santo Agostinho, San Michele, a Duomo, a vida na Piazza della Vitoria, o gelado, o sol de Pavia... e o rio, sempre a Ponte Coperto. Finalmente, San Teodoro, Santa Maria di Carmine, San Michele, Castello Visconteo... e a vida nocturna em vésperas de 25 de abril (Liberazione).

Castello Visconteo

Piazza della Vitoria e Duomo

Lava Monte Etna (Museu Universitat di Pavia)

Ponte Coperto (ou Vecchio) sobre Rio Ticino

San Teodoro

Santa Maria di Carmine


Destaco La Posta, na via Dante. Restaurante com prova de charcutaria e queijos (incluindo o Gorgonzola). Nada original não fosse serem de produção que vem directamente do produtor e que é cortado numa mesa, no meio da sala de jantar, por um dos donos. À qualidade e frescura dos produtos junta-se uma decoração típica da Lombardia, feita de tijolo laranja e madeira, e a simpatia dos jovens proprietários.


06 setembro 2010

Medjugorje



Quis a vida que este ano os meus passos me levassem à Bósnia-Herzegovina. Inculta em relação aos Balcãs, com esparsos saberes sobre a sua história recente, as palavras que me deslumbravam falavam-me da Croácia e do Adriático. Quis contudo uma voz mais forte e de reconhecida importância na minha vida, insistir em falar-me de uma pequena terra com pouco mais de 2 mil habitantes, situada entre montes, na Herzegovina (comunidade cristã).

Quis o chamamento ser forte, quis a vida que fosse atendido, quis eu reunir-me ao divino...
A experiência espiritual vivida, está para além da beleza natural da costa croata, das montanhas e dos vales, dos rios cor de esmeralda e dos monumentos cristãos, muçulmanos e judeus.

A dádiva recebida, os novos amigos, a paz e a calma foram o que tornaram esta viagem simplesmente maravilhosa.

Possam o sorriso e a felicidade durar.


A música inesquecível de Kraljice Mira.

15 junho 2010

Paris, toujour et plus jamais


[Ou ma vie à vraiment changer]


O projecto é artístico e monumental: à semelhança da capital que celebra.
Paris está novamente nas bocas do mundo graças ao seu contributo cultural (não se atrevam a perguntar porque amo Paris e a cultura francesa!). Tudo graças a um projecto intitulado: "Paris 26 gigapixels".

Dois fotógrafos franceses, Arnaud Frich e Martin Loyer, e uma empresa de informática criaram uma foto panorâmica em 220º de Paris com 26 bilhões de pixéis que, segundo eles, seria a maior imagem digital do mundo. Para compô-la, os fotógrafos tiraram 2346 fotos da capital francesa, que foram reunidas numa só imagem panorâmica de 26 bilhões de pixéis por um programa de computador criado pela empresa Kolor.

A fotografia em altíssima resolução ocuparia dois estádios de futebol caso fosse impressa, afirmam os autores do projecto Paris 26 Gigapixels.

Aqui fica o link:
http://www.paris-26-gigapixels.com/index-en.html


12 abril 2010

Bouillon Chartier




A friend ask me for a suggestion: do you know any good restaurant in Paris? Be aware that I'm not searching for a Michelin's recomendation.

The only thing I could remember was not Michelin, was not a simple Brasserie or a Montmarte corner. The only thing that was rumbling in my mind was: Le Bouillion Cartier. A very large restaurant, Belle Epoque style, fantastic decoration, nice waiters... and the most cheap prices I've ever had in a restaurant in Paris.

Nice food, great marron creme, l'apricot melba...

Near the Boulevards...



28 janeiro 2010

Do Porto





Pois é o amigo Sebastian teve de voltar a Portugal para perceber que eu não tinha as fotos dessa grande experiência que foi o ISDT.

http://www.flickr.com/photos/sebastiangreger/sets/72157621780135427/?page=4

As fotos são autênticos cartazes promocionais da bela invicta. Estou ansiosa por ver as fotos de Lisboa. Mesmo com o fotógrafo doente devem estar amazing!!! der erstaunliche!!!


(Jardins do Palácio de Cristal por Sebastian Greger)

03 setembro 2009

BENELUX trip (III)

Bruges (Bélgica)

Bruxelas (Arc du Triomphe) - nós? imitar Paris? nada disso...

Gent (Bélgica)

Bruxelas (Sacré-Coeur) - Paris? modelo? não...

Antuérpia (Bélgica)


O espaço é pouco... mas a Bélgica é fenomenal! Bruges é indescritível...

02 setembro 2009

BENELUX trip (II)

Volendam (Holanda)

Amsterdão

Marken (Holanda)


Red Light District (Amsterdão)


Decadente? O país: nada; o interior: nada mesmo. A cidade de Amsterdão: não! As pessoas em Amsterdão: talvez...

BENELUX trip

Roterdão (Holanda) - a partir da Torre Euromast

Colónia (Alemanha) - era uma vez Três Reis Magos que agora estão nesta caixa (que herege =)


Margens do Reno (algures entre Estrasburgo e Kobleinz - GR)

Estrasburgo (França)


Luxemburgo


Sim, é verdade: cada vez demoro mais a fazer balanços. Demoro tanto que quando me lembro dos fazer já não me lembro do que tinha para dizer sobre a viagem de verão pela BENELUX, Alsácia e Reno. Novos países, de arquitectura muito semelhante, de gentes diferentes ou autênticos desertos (continuo sem perceber o Luxemburgo num domingo à tarde). Uma Holanda antitética e surpreendente... que bem que se vive fora das cidades... uma Bélgica a repetir!

Mas as viagens são sempre uma oportunidade para sentir saudades do meu país e querer voltar, como um carregar de baterias para aguentar mais uns meses. Este ano, feliz ou infelizmente, menos meses que o habitual... em breve vou ter um «tête-à-tête» com Mr Vlad Tepes, que é como diz o povo: Dráculea...

24 maio 2009

Um beijo e um queijo



De volta dos meus roteiros, recordando receitas e refeições descobri que posso traçar um linha identificadora dos meus destinos de eleição pelo queijo que aí consumi desenfreadamente... sim, porque isto de queijo é como os beijos: a variedade é muita mas o efeito é sempre o mesmo - prazer...

Em França existem os deliciosos:
Roquefort - do sul da França, tem veios azulados característicos. Feito de leite de ovelha tem um sabor forte, assim como, um odor ímpar. Não tem casca... é enjoativo.
Camembert - branquinho, macio, aveludado, cremoso... uma delícia com mel, mas ainda melhor com doce de abóbora. Da Vila de Camembert, pois então.
Brie - da região de Brie, de cor pálida e sabor forte... delicioso para barrar tostas.
Chèvre - de leite de cabra, parece sempre fresco. Come-se sem pão... ou barra-se como manteiga.

Da Suíça:
Gruyère - uma delícia. Com sabor suave pode comer-se sem pão, mas uma generosa fatia enfiada numa baguete come-se sem parar.
Emental ou o típico queijo suíço... sim, aquele amarelo cheio de buracos... esse mesmo.
Raclette - Para derreter em máquina eléctrica própria em comer com pickles e batata cozida, temperado com sal e pimenta.
Fondue - outro prato de origem Suíça feito à base de queijos (normalmente, Gruyère e Emental) fundidos em vinho branco servido acompanhado por pão, batata e cenouras (confesso que não morro de amores pela fondue de queijo... já a de chocolate com fruta...)

Em Itália:
Mascarpone - aquele creme delicioso usado na confecção de um bom Tiramisú
Mozarella - o típico italiano. O melhor é feito com leite de búfala. Comido fresco, delicioso em saladas, em pizzas e em massas. Portanto, bom de qualquer forma.
Parmesão - só o conheço ralado. Sabor forte que combina com massas, mas confesso que o cheiro me enjoa.

Já em Portugal são famosos: Flamengo; Queijo da Serra; Queijo de Avintes; Azeitão e por aí fora. Para mim sai o caseiro de cabra e ovelha lá da vizinha, fresco ou seco, com ou sem pão...


Ainda:
Ingleses: Cheddar e Cottage
Holandeses: Edam e Gouda
Grécia: Feta

15 agosto 2007

A Ilha do Arcanjo

[Foto: Kisa - Vista do Rei - São Miguel - Açores]

Eu vos direi da ilha que na dorna
do Arcanjo é eterna em chão escasso.
Fulva de gado ao dia. À noite, morna.
Embebida no verde. E o mar colaço.

Ilha do alumbramento em templo torna
a unção de contemplar. Um ténue traço
de garça entre água e céu. A paz se escorna
em lagoa e lavoura o tempo e em espaço.

Tanto silêncio confiado à luz!
Treme um nenúfar se um trilo tremeluz
Caiam o sol de azul os agapantos.

Na cevadeira a broa luminosa,
romeiros nos persignam com uma nova rosa
Suas rezas joeiram pombos santos!



in «O dilúvio e a pomba» by Natália Correia
[as minhas palavras serão sempre pequenas para o dizer, ou sequer para da Ilha falar... os adjectivos são parcos, a emoção demasiado intensa e diria mesmo: de outro mundo! Obrigada Arcanjo!]