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04 fevereiro 2015

Outlander (TV, 2014-...)

Descobrir Outlander é como redescobrir a magia do imaginário em conteúdos televisivos. Uma lenda, uma história mágica, uma viagem no tempo. Um sonho do qual se quer acordar mas que acaba por se tornar a vida. Uma estrangeira, uma época passada de sangue, de guerras, de egos. Uma Escócia católica, machista... uma nova família no século XVIII. Sem confiar em ninguém, entendendo pouco ou nada da língua, tentando regressar ao marido que a perdeu no século XX, Claire é protegida pelo laird do clã MacKenzie graças aos seus conhecimentos de curandeira (enfermeira de guerra). Presa entre os irmãos Colum e Dougall que tanto precisam dela como a consideram uma espia inglesa, Claire encontra em Jamie, o sobrinho com a cabeça a prémio, o único amigo e confidente. Rapidamente, o discrição de Claire e a sua competência a ajudam a conquistar os corações dos serviçais e dos seus anfitriões, mas Claire quer desesperadamente regressar ao século XX e, nesse empreendimento, várias são as aventuras e os dissabores.

24 julho 2013

Manifesto Maubere

A cultura é a memória

de um povo que não morre!

A acção é a história
de um povo que não morre!

Ouviram?
Ouviram bem?

A vida é a liberdade
de um povo que não morre!

A independência é a vontade
de um povo que não morre!

Ouviram?
Ouviram bem?

A justiça é a oferta
de um povo que não morre!

A luta é a descoberta
de um povo que não morre!

Ouviram?
Ouviram bem?


[Fernando Sylvan, 1982]


Resistência Timorense Arquivo & Museu (Dili, Timor-Leste, visita a 24/07/2013)

21 julho 2012

52ºC


quando se sobrevive a 52ºC em pleno Deserto da Judeia reavaliamos a importância da coragem e da vontade no nosso quotidiano.
quantas vezes o "não consigo" nos impede de ir mais além?
quantas vezes o "não sei" esconde apenas o medo?
quantas vezes o "não posso" representa o apego à nossa rotina?

sobreviver ao deserto foi uma prova e uma lição, especialmente tendo em conta que durante 10 dias o alimento foi reduzido a pão, água, omari, papas de aveia, arroz, beterraba e cenouras cozidas.

E se o corpo sobreviveu, o espírito renasceu na alegria da partilha, do conhecimento e da vivência histórica.


28 setembro 2011

Manuscritos do Mar Morto

A notícia chegou-me pelo agregador de comunicação Fibra e conta-me que:

Os Manuscritos do Mar Morto, que incluem as mais antigas escrituras bíblicas, estão agora online. A digitalização dos escritos está a ser realizada através de uma parceria entre o Museu de Israel, onde estão grande parte dos manuscritos, e a Google.
 

Os textos estiveram preservados em cavernas nas margens do Mar Morto, até serem descobertos, em 1947, por um pastor. As explorações levadas a cabo depois da descoberta permitiram reunir perto de 900 textos. Entre outros tópicos, abordam visões críticas da vida e religião de Jerusalém, o surgimento da bíblia hebraica e o nascimento do cristianismo.

Já estão disponíveis online cinco manuscritos: Livro de Isaías, Livro das Regras da Comunidade, Comentário sobre [o profeta] Habakkuk, Livro do Templo e Livro da Guerra. As fotografias das escrituras, capturadas pelo fotógrafo Ardon Bar-Hama, têm uma resolução de 1.200 megapíxies, possibilitando a visualização de pormenores  invisíveis a olho nu.

“Temos o privilégio de guardar aqui no Santuário do Livro do Museu de Israel o mais completo e mais bem preservado conjunto de Manuscritos do Mar Morto jamais descoberto. Agora, através desta parceria com a Google, podemos levar estes tesouros à maior audiência pensável”, asseguram os responsáveis máximos do museu. O chefe do departamento de Investigação e Desenvolvimento da Google Israel, Yossi Matias, acredita que “a Internet rompeu barreiras que havia entre as fontes de informação e as pessoas”.

13 novembro 2010

Die Papstin (Papisa Joana)

No ano 2000 lia o livro editado pela Presença e ficava fascinada com a história da mulher que ousou ser homem para chegar ao topo da hierarquia mais masculina do mundo: o Papado.


A pequena Joana, viveu na Idade Média (alguns dizem século IX, outros XIII), quando as mulheres obedeciam aos maridos e existiam apenas para os servir. Mas desde pequena revelou grandes dotes de aprendizagem e vontade de conhecer. Aprendeu a ler e escrever latim e grego, aprendeu o segredo da cura usando as plantas e assumiu a identidade do irmão entretanto falecido na luta contra os saxões.

Na Convento de Furla viveu como monge; foi para Roma e tornou-se médica e conselheira papal. O apoio de alguns conselheiros do Papa e do povo haveria de a conduzir à cadeira de São Pedro onde tomou decisões para a criação de escolas para a educação das mulheres. Mas apaixonou-se e engravidou; e a sua missão terminou cedo. A tempo de permitir aos seus inimigos apagarem-na da História (ou talvez não...).

Donna Woolfolk Cross escreveu,  Sonke Wortmann realizou e Johanna Wokalek interpretou. Um filme europeu, intenso, sobre uma lenda (ou não). Uma história controversa, um final comovente.

 As grandes questões que permanecem: se Joana era um instrumento de Deus, devota e cheia de fé, convicta da sua missão, como cede tão facilmente aos encantos de Gerold? Será o celibato realmente indispensável aos "obreiros" do Senhor?

Afinal, porque não podem as mulheres ser parte da História e da hierarquia da Igreja, se a fé e a missão são dons de Deus?

05 julho 2009

As Filhas do Graal


Autor: Elizabeth Chadwick
Editor/Chancela: Saída de Emergência/Chá das Cinco
Páginas: 383

Sinopse
França, século XIII: Bridget cresceu aprendendo a controlar os dons místicos da sua antepassada Maria Madalena, cuja ininterrupta linhagem feminina manteve vivo um legado de sabedoria durante milénios. Mas agora, a todo-poderosa Igreja Católica jurou destruir Bridget por usar os seus talentos curativos e as suas habilidades naturais. O dever de Bridget de continuar a linhagem leva-a até aos braços de Raoul de Montvallant, um católico. E quando a intolerância selvagem da Igreja leva Raoul a rebelar-se, a intolerância cresce para uma ânsia de vingança que só poderá ser saciada com uma cruzada de sangue.

Entre Provence e Occitânia, 40 anos na vida das personagens, marcadas pela perseguições aos cátaros na antiga região francesa do Languedoc. A história começa acompanhando os passos de Raoul de Montvallant, um católico pertencente a uma família tolerante para com os cátaros, e Bridget, descendente de Maria Madalena e da Virgem Maria pelo casamento de Madalena com Tiago, irmão de Jesus. Após a morte da mãe, marcada a ferros pelos frades pregadores dominicanos, Brigdet tem por missão continuar a descendência feminina e transmitir conhecimentos e poderes com séculos de existência e que lhe valem os epítetos de curandeira e bruxa que condenaram a mãe e a condenam a perseguições, enquanto desempenha a sua missão num constante nomadismo acompanhada pelo tio, Chrétien de Béziers, Perfeito cátaro, e Mathias, um escriba mutilado pelos perseguidores, cuja missão é a tradução do evangelhos apócrifos para a língua occitana e castelhana para serem entendidos por muitos.

Pelo curso da história, vemos como as vidas de Bridget, Raoul e dos seus filhos (Magda, Guillaume e Dominic) se cruzam, assistimos à perseguição aos cátaros em várias cidades do Languedoc, movidas pelos frades Dominicanos, Cister e comandadas por Simon de Monfort.

Num período de intolerância, em que o excessivo zelo de Domingos de Gusmão instituiu uma perseguição cega e desenfreada, a autora desvela um infinito turbulento de argumentos e circunstâncias que justificam os feitos históricos sanguinolentos, por um lado, e por outro a rebelia contra a intransigência e crueldade dos cruzados e do clero romano, afeito à luxúria, à gula e ao julgamento interessado e atroz da fé alheia.

É o pecado terreno do homem que o condena a ser cego e infeliz. E ao sê-lo, não permite que outrém encontre as respostas nos caminhos que percorre e, por isso, o infeliz apressa-se a destruir o destino de quem encontra a luz, de quem Caminha com a Luz.

Acima de tudo, As Filhas do Graal é uma história de amor nas suas diferentes formas: maternal, paternal, fraternal, sexual, natural... É uma história de destinos que se escolhem e que se acolhem no tempo do Universo, que se sofrem, anseiam e é o demonstrar que qualquer dom é dádiva e condenação... pois Janus tem sempre duas faces: a da Luz e a da Escuridão.

13 novembro 2007

Elizabeth: The Golden Age


Na sequência de Elizabeth (1998), Shekhar Kapur explora a biografia da Rainha Virgem (1533-1603) que ascendeu ao trono inglês no meio da polémica da bastardia, lutas entre cristãos e protestantes, descoberta das Américas.

A meio do seu reinado, a rainha enfrenta o poder da religião e a traição. O rei de Espanha está determinado a desafiar o seu poder com o objectivo de restabelecer o catolicismo em Inglaterra e Elizabeth prepara-se para a guerra. Mas ao mesmo tempo tem de equilibrar os seus deveres reais com uma suposta paixão proibida por sir Walter Raleigh (Clive Owen) (pirata aventureiro que tenta colonizar a América e que na trama acaba por desempenhar o papel que na História terá tido Francis Drake?). A solidão e o medo acabam por levar a Rainha ao desespero, especialmente quando percebe que ninguém é capaz de a amar por ela mesma, apenas pelo interesse de ser quem é.




Com a avassaladora Cate Blanchett, no papel de uma rainha amarga, possuída pela dor da solidão e pela abnegação a favor de um povo, de um ideal, de um destino. Assustada pelo peso da ameaça da maior potência do século XVI e pelo medo de poder estar errada quando todos dependem dela.

Jordi Molla inquietante no papel do fervoroso, dogmático e alucinado Rei Filipe II (I de Portugal). A caricatura poderá ser exagerada, mas apetece a qualquer português achincalhar ainda mais o «tontinho». Geoffrey Rush, muito discreto, demasiado discreto se estivermos acostumados às brilhantes interpretações de Quills, Shine e mesmo Piratas das Caraíbas. Clive Owen deslumbrante, mas completamente aturdido pela «luz» de Cate Blanchette. Em Inglaterra reinou uma rainha, serva de nenhum homem, e neste filme, houve uma protagonista que não deixou brilhar mais nenhuma estrela.


A fotografia, banda sonora, realização estão excelentes, no entanto, a sequela peca pela exploração fácil dos so callled amores proibidos, quando a trama histórica é, na minha opinião, bem mais interessante que o «clima de alcofa».

09 outubro 2007

A Voz dos Deuses

[Viriato por Carlos Alberto Santos]


A Voz dos Deuses é já um clássico do romance histórico português contemporâneo. Uma leitura apaixonante que nos dá a conhecer a história de Viriato, um dos construtores da realidade ibérica.

Em 147 a.C., alguns milhares de guerrilheiros lusitanos encontram-se cercados pelas tropas do pretor Caio Vetílio. Em princípio, trata-se apenas de mais um episódio da guerra que a República Romana trava há longos anos para se apoderar da Península Ibérica. Mas os Lusitanos, acossados pelo inimigo, elegem um dos seus e entregam-lhe o comando supremo. Esse homem, que durante sete anos vai ser o pesadelo de Roma, chama-se Viriato.

Entre 147 e 139, ano em que foi assassinado, Viriato derrotou sucessivos exércitos romanos, levou à revolta grande parte dos povos ibéricos e foi o responsável pelo início da célebre Guerra de Numância. Viriato foi um verdadeiro génio militar, político e diplomático. Mas, sobretudo, Viriato foi o defensor de um mundo que morria asfixiado pelo poderio romano: o mundo em que mergulham as raízes mais profundas de Portugal e de Espanha. É esse mundo, já então em declínio, que este livro tenta evocar.



[um retrato apaixonante das lutas contra as legiões romanas, contra o opressor; da vontade férrea de independência com sacrifícios de vida, de amor. O retrato visionário e a consciência da importância da honra e dos princípios que pautam a conduta humana. A crença nos deuses, na sua protecção, nos seus milagres, quando se torna difícil acreditar nos milagres humanos. Um livro fascinante que se lê de um sopro e que nos marca como uma esperança.]


17 julho 2007

Mercado Medieval de Óbidos 2007



A Terra e o Céu – O Homem e Deus
Religioso versus Supersticioso


Fé, milagres, bençãos, superstições, magia, feitiços, sortilégios, agoiros convivem no quotidiano da Idade Média. É o Mundo da Luz que se contrapõe ao Mundo das Trevas.
São santos e pessoas de virtude, mártires e ermitas que se confrontam com blasfemos, adivinhos, encantadores, magos aurispices, agoureiros e benzedeiros.
É tempo de charivaris, mas também de autos de fé, de penitências e indulgências, em paralelo com heresias e idolatria. Demologia e necromancia encontram repressão que envolve os alquimistas, astrólogos e bruxas. Amuletos valem tanto como as relíquias sagradas.
Homens e mulheres de todos os estratos sociais participam nas Festas dos Loucos e nos Sabats das Bruxas de igual modo do que em Teo Deos e outras celebrações religiosas.
É neste ambiente que decorre mais um Mercado Medieval em Óbidos, de 12 a 22 de Julho de 2007.

Um verdadeiro mergulho na História!

Esta é a apresentação para atrair turista! Desde logo soberba!
Mas nada iguala o que se entranha pelas ruas e vielas branqueadas, nas tascas rigorosamente concebidas, toscamente acabadas, nas ementas pormenorizadamente adaptadas. E o vento por entre as muralhas, e as ameias que tocam o céu... nada é acaso! Nem nós que percorremos as ruas, estas e não outras, que andamos nesta direcção, encontrando as almas suspensas nesta dimensão, encontradas na recriação! É tempo... somos medievais! We are dreaming on Middle Age (já dizia Umberto Eco)!






16 abril 2007

300

Um filme sobre abnegação... [que irónico... mas não existem coincidências, não é?]


abnegação da mãe que vê o filho de 10 anos partir para um rito de iniciação onde só sobrevivem os mais fortes;
abnegação das crianças que se tornam adultos demasiado depressa à custa da aprendizagem da sobrevivência;
abnegação de um rei que quer manter o seu povo livre e que contra deuses e oráculos, contra a prudência e a evidência, decide lutar, dar a vida pelo ideal em que acredita: a liberdade!
abnegação de um marido, de uma mulher que calam os sentimentos de amor, por serem demasiado óbvios num olhar, na cumplicidade, na existência...
e a abnegação na honra, pouca em demasia quando se pretende salvar a vida de 300... que honra a de uma mulher que tenta salvar a quem ama independentemente dos meios que usa? usa os que tem...
que honra a de um político que vende o seu povo por um punhado de ouro, por um punhado de prestígio... nenhuma!



Uma realização brilhante, onde se percebe muito bem onde entra a animação computorizada! Diálogos sarcásticos e simplesmente deliciosos de um Leónidas sem medo, sem nada a perder... a não ser tudo... e pelo tudo dá a sua vida e dos demais que nem na morte o abandonam!


[e, neste momento, eu queria ter a força de uma espartana... deixar ir sem temer. aceitar sem chorar deixando evidentes as palavras que não ficam por dizer, mas que tardam em ser ouvidas! por um momento, eu gostava que os 300 tivessem sobrevivido e, por um momento, eu gostava que me ouvisses, até ao fim!]

30 janeiro 2007

A Promessa do Anjo

(Autores: Frédéric Lenoire Violette Cabesos)

Uma rocha na costa da Normandia açoitada pelas tempestades, um lugar de cultos primitivos celtas que foi santificado pelos primeiros cristãos: o Mont-Saint-Michel ainda não revelou todos os seus segredos. No início do século XI, os construtores de catedrais ergueram em honra do arcanjo Miguel, guia das almas ao Além, uma enorme abadia.
Mil anos mais tarde, Johanna, uma jovem arqueóloga apaixonada pela Idade Média e encarregue de levar a cabo escavações na célebre abadia beneditina, encontra-se prisioneira de um enigma no qual passado e presente se unem de forma estranha.
Mortes rituais, segredos milenares, amores proibidos do passado que renascem impetuosos no presente. A jovem arqueóloga tem de percorrer um caminho de volta ao passado, que a situa perante uma história que perdurou no tempo à espera do desenlace final, enquanto uma voz nos seus sonhos lhe repete: «Há que escavar na terra para aceder ao céu.»


É simplesmente fabuloso... para quem goste de história, arquitectura gótica... e acima de tudo de perceber de onde vem o cristianismo e como os homens são os verdadeiros obreiros e «destruidores» da fé humana!

A Promessa do Anjo é mais que um romance histórico inspirado em lendas e em locais. É uma mensagem de significados implícitos, quiçá, inconscientes para o incauto. A evidência de que existem caminhos inesperados que deveremos percorrer para nos sentirmos vivos e para sentirmos que na vida existem razões, existem vasos vazios que teremos de preencher com as nossas opções. E se é verdade que por vezes não sabemos como mudar nem sabemos o porquê deste sentir vazio, existem sempre elementos mágicos que poderemos ou não reconhecer, que poderemos ou não aprender.