16 abril 2007

300

Um filme sobre abnegação... [que irónico... mas não existem coincidências, não é?]


abnegação da mãe que vê o filho de 10 anos partir para um rito de iniciação onde só sobrevivem os mais fortes;
abnegação das crianças que se tornam adultos demasiado depressa à custa da aprendizagem da sobrevivência;
abnegação de um rei que quer manter o seu povo livre e que contra deuses e oráculos, contra a prudência e a evidência, decide lutar, dar a vida pelo ideal em que acredita: a liberdade!
abnegação de um marido, de uma mulher que calam os sentimentos de amor, por serem demasiado óbvios num olhar, na cumplicidade, na existência...
e a abnegação na honra, pouca em demasia quando se pretende salvar a vida de 300... que honra a de uma mulher que tenta salvar a quem ama independentemente dos meios que usa? usa os que tem...
que honra a de um político que vende o seu povo por um punhado de ouro, por um punhado de prestígio... nenhuma!



Uma realização brilhante, onde se percebe muito bem onde entra a animação computorizada! Diálogos sarcásticos e simplesmente deliciosos de um Leónidas sem medo, sem nada a perder... a não ser tudo... e pelo tudo dá a sua vida e dos demais que nem na morte o abandonam!


[e, neste momento, eu queria ter a força de uma espartana... deixar ir sem temer. aceitar sem chorar deixando evidentes as palavras que não ficam por dizer, mas que tardam em ser ouvidas! por um momento, eu gostava que os 300 tivessem sobrevivido e, por um momento, eu gostava que me ouvisses, até ao fim!]

15 abril 2007

Caçador de Sóis

Não sou fã da Ala dos Namorados, apesar de reconhecer a aura especial que rodeia a música Loucos de Lisboa. Uma música que oiço com o mesmo prazer que ouvia há 10 anos atrás. O Mentiroso Normal não é um álbum que vá ouvir com regularidade, mas é um álbum consistente e óptimo para quem passa dias a ler e escrever. A música ligeira portuguesa sui generis, mas neste caso o tónus que me faltava para fechar os olhos e sonhar sonhos que abandonei por entre o desespero de ter de...


Os teus olhos foram esperança
Os meus olhos girassois
Fomos onde a vista alcança da nossa janela


[Perdoem-me a lamechice, mas deve de ser da altura do mês... a sensibilidade escorre-me pelos poros abertos. Eu não pude sonhar a minha infância... por isso, sonho agora o meu presente.]

o título é link para o vídeo da música

14 abril 2007

Parce Que Je T'aime - Tribal King

On se plaît on s'attire on s'dit qu'on s'aime même pour le pire
On s'défait on s'déchire alors on fait tout pour partir
Mais nous nous sommes plus fort que ça
Personne ne nous séparera
On s'aime pour la vie toi et moi...
Et c'est le destin qui choisit il m'a mis sur ta route
Je suis mon instinct je te suis quoi qu'il arrive coûte que coûte
Pas d'autre tu es celle qu'il me faut
Non stop tu me plais ho
Pas d'autre t'es la seule sans défaut
Non stop sois ma fée...

Parce que je t'aime (la vie serait trop dure sans toi)
Parce que je t'aime (laisse moi t'aimer comme il se doit)
Parce que je t'aime (je le crierai 100 fois 1000 fois)
Elle est parfaite pour moi (je veux son coeur seulement son coeur je te veux toi)
Je me battrai pour toi (tellement si belle que dans ses yeux je me noie)
Elle est parfaite pour moi (je veux son coeur seulement son coeur je te veux toi)
Je me battrai pour toi (c'est l'ragga d'manny one juste pour toi)

Tous tes rêves tes désirs tu n'auras plus qu'à les choisir
Si ma reine veut s'enfuir, elle naviguera sur du saphir
Viens je t'emmène loin de tous ça dans un monde idéal pour toi
La-bàs personne ne nous jugera j'te jure on vivra comme des rois

Et c'est le destin qui choisit, il m'a sourit sans doute
Je suis mon instinct je te suis même si la vie ça me coûte
Pas d'autre tu es celle qu'il me faut
Non stop tu me plais ho
Pas d'autre tu es la seule sans défaut
Non stop sois ma fée...

Elle te rend ouf man car elle à trop d'charme
Un seul regard man yep, elle te désarme c'est le drame
Tellement belle naturelle chaque jour instant moi j'en rêve je la veux elle
Sincère naturelle tellement si belle many one zouker zouker



[A música fica no ouvido pelo ritmo talvez... mas tenho este defeito de prestar atenção às letras e hoje de manhã percebi que as coisas correm mal mas mesmo assim há algo que permanece... os Tribal chamam-lhe instinto, eu se calhar um dia vou chamar-lhe burrice, estupidez... mas o certo é que por muito que desanime, há sempre algo que me faz continuar a caminhar, continuar a procurar... insistir, ser chata, preocupar-me... mesmo que não seja esse o meu caminho! ]

12 abril 2007

Grow - Kubb

Who said
broken pieces don't mend
I say
I say to think again
You may take advice from all your friends
but I say that I'm living in your head

Just let it grow
let it grow inside of you
let it grow
let it flow inside of you
let it grow let it grow let it grow

She said that its easy for men
and i said that we all feel the rain
then she said move a little closer then

who says that broken pieces don't mend
'cause in the garden of reason you can't change what you're given
but you can go where the river flows

let it grow grow grow grow
let it grow grow grow grow
yeah yeah yeah let it grow
yeah
let it grow

life gives you a hand you're playing by the rules
you'll never come through it.

('cause in the garden of reason you can't change what you're given
but you can go where the river flows)


[a vida vai acontecendo, o que tem de ser tem a sua hora de chegada. As dores do crescimento deixam-nos as marcas das recordações, a melancolia da saudade, o olhar perdido num horizonte, o orgulho ferido por um querer não satisfeito... e vamos crescendo: crescendo para o mundo, mas acima de tudo crescendo em nós... e a cada porta que se fecha, um novo horizonte se fixa... tens razão... let it grow!]

09 abril 2007

The Holiday




Iris (Winslet) está apaixonada por um homem que estás prestes a casar com outra mulher. Do outro lado do oceano, Amanda (Diaz) descobre que o homem com quem vive a está a trair. Sem nunca se terem conhecido, estas duas mulheres inscrevem-se num site de troca de casas e cada uma viaja para o lar da outra durante as férias. Pouco tempo depois de chegar, encontram aquilo que menos esperavam: um novo romance...

Realizado por Nancy Meyers (a sra. comédias românticas: what women want, something gotta give, the father of the bride), com interpretações de Kate Winslet, Jack Black, Jude Law e Cameron Diaz.

Nada suficientemente forte para motivar alguém a ver tal filme (tirando eventualmente a 'atracção especial' por Jack Black), muito menos a mim que não sou grande fã de filmes doces a puxar para o diabético...
Contudo e apesar dos clichés óbvios dos parzinhos perfeitos e das histórias que só se encaixam rapidamente no ecrã e depois duram para toda a vida, acabei por encontrar uma inovação neste filme. A mulher não é uma falhada, vulnerável, abandonada, nem procura um princípe suprassumo para a tirar da aflição. Mostra 2 mulheres resolvidas na vida e bastante independentes que procuram reencontrar-se. Ok, a Winslet ao princípio mete nojo de tão subserviente, mas tem a coragem de dar um pontapé no Rufus Sewell (oh! como eu compreendo a dificuldade...)
Portanto, um filme que ensina a recuperar a auto-estima e que devolve a esperança, no «é possível»... mesmo que os actores não convençam, ainda que o argumento seja escasso... enfim não se pode pedir muito.


Destaco, no entanto, Eli Wallach, no papel de um aposentado argumentista de Hollywood, ou melhor, no papel de anjo que devolve a confiança e a alegria de viver a uma jovem escritora cujo ego e existência se encontravam enovelados pelo medo da solidão, pela cegueira de um 'amor' unívoco usado por um homem pouco íntegro que se aproveita da ingenuidade e da falta de amor próprio da jovem Íris. Felizmente, há sempre peças fundamentais que nos resgatam pela essência devolvendo-nos o sopro da felicidade e o sorriso da auto-confiança.

04 abril 2007

No Teu Poema

No teu poema
Existe um verso em branco e sem medida
Um corpo que respira, um céu aberto
Janela debruçada para a vida

No teu poema existe a dor calada lá no fundo
O passo da coragem em casa escura
E, aberta, uma varanda para o mundo.
Existe a noite
O riso e a voz refeita à luz do dia
A festa da senhora da agonia
E o cansaço
Do corpo que adormece em cama fria.
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.

No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonhos inquietos de quem falha.

No teu poema
Existe um cantochão alentejano
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.

No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do muro
Existe tudo o mais que ainda escapa
E um verso em branco à espera de futuro.

Escreveu José Luís Tinoco e às vezes canta: Carlos do Carmo, Simone de Oliveira, Dulce Pontes, Mafalda Arnauth, Paula de Oliveira... canta quem quiser

[às vezes tudo aquilo que há para dizer já foi dito... importa apenas repeti-lo a cantar ou dar-lhe a forma da existência, da concretização... haverá sempre a antítese e a recordação... o sorriso e a lágrima... a luz e a escuridão... haverá sempre este medo e este cansaço... e esta certeza tão duramente cravada, tão deliciosamente abraçada na certeza de se querer dizer mais, sorrir mais, viver mais...]

A Sombra do Templário


Em 1265, os cavaleiros do Templo, o Papa e um impiedoso espião 8ao serviço de Carlos D'Anjou) perseguem um pergaminho que esconde um segredo. Um segredo que poderia mudar a História. Bernard Guils um templário que viaja num barco com destino a Barcelona, é envenenado no final do trajecto. Antes de morrer, Bernard Guils, dissera a um judeu que procurasse outro templário, Guillem - um discípulo de Bernard - para lhe entregar uns documentos muito importantes. Os pergaminhos de que Bernard falara antes de morrer desaparecem misteriosamente, dando lugar a uma trama inteligentemente entretecida com traições, esconderijos espiões que pretendem tomar posse dos valiosos documentos.
Desde a publicação do Código Da Vinci de Dan Brown que qualquer romance histórico com temas medievais, em torno dos Templários e sociedades secretas, assim como do Graal e da tradição celta, são apresentados como 'wannabies', isto é, como querendo ser um sucesso de prateleira. É certo que as publicações em torno destes temas aumentaram substancialmente tornando-se modas, no entanto, o epíteto 'wannabe' e o efeito de saturação provocado pelas editoras leva a que autênticas 'pérolas do entretém' sejam esquecidas nas prateleiras.
A Sombra do Templário joga com a aventura e o mistério, chegando o leitor ao fim percebendo que, se calhar, o tesouro não era tesouro nenhum e que - sabe-se lá - os Templários afinal andaram a brincar aos espiões criando teias comunicativas por todo o mundo para esconderem pedaços de papel nos locais mais inóspitos. E o que tinham esses manuscritos? Conhecimento: histórico, arqueológico, hermético, simbólico... seria afinal o Tesouro Templário o conhecimento que deles herdámos? Será que não existe nenhum ouro, nem pedras preciosas... pois é, a Sombra do Templário faz pensar e muito transmitindo numa escrita fluída e empolgante a mensagem da tolerância, da amizade e do agradecimento, que se opõem ao ódio, à loucura e à crueldade... as usual... tão usual que até já sabemos tudo de cor!