Eu nasci nalgum lugar
Donde se avista o mar
Tecendo o horizonte
E ouvindo o mar gemer
Nasci como a água a correr
Da fonte
E eu vivi noutro lugar
Onde se escuta o mar
Batendo contra o cais
Mas vivi, não sei porquê
Como um barco à mercê
Dos temporais.
Eu sei que o mar mão me escolheu
Eu sei que o mar fala de ti
Mas ele sabe que fui eu
Que te levei ao mar quando te vi
Eu sei que o mar mão me escolheu
Eu sei que o mar fala de ti
Mas ele sabe que fui eu
Quem dele se perdeu
Assim que te perdi.
Vou morrer nalgum lugar
De onde possa avistar
A onda que me tente
A morrer livre e sem pressa
Como um rio que regressa
Á nascente.
Talvez ali seja o lugar
Onde eu possa afirmar
Que me fiz mais humano
Quando, por perder o pé,
Senti que a alma é
Um oceano.
[amarei para sempre o mar, por ter alma de oceano, ou por
ter os olhos poisados no infinito:
sempre mais longe que o perto, sempre tão perto do resto]
quem nada tem nada pode perder, mas quem arrisca pode ganhar tudo... 'sem a loucura que é o homem mais que a besta sadia, cadáver adiado que procria?' [Fernando Pessoa, D. Sebastião]
22 novembro 2008
o mar fala de ti
13 novembro 2008
The Man Who Can't Be Moved
Gonna camp in my sleeping bag I'm not gonna move,
Got some words on cardboard got your picture in my hand,
Saying if you see this girl can you tell her where I am,
Some try to hand me money they don't understand,
I'm not... broke I'm just a broken hearted man,
I know it makes no sense, but what else can I do,
How can I move on when I'm still in love with you...
Cos if one day you wake up and find that you're missing me,
And your heart starts to wonder where on this earth I can be,
Thinking maybe you'll come back here to the place that we'd meet,
And you'd see me waiting for you on the corner of the street.
So I'm not moving...
I'm not moving.
Policeman says son you can't stay here,
I said there's someone I'm waiting for if it's a day, a month, a year,
Gotta stand my ground even if it rains or snows,
If she changes her mind this is the first place she will go.
Cos if one day you wake up and find that you're missing me,
And your heart starts to wonder where on this earth I can be,
Thinking maybe you'll come back here to the place that we'd meet,
And you'd see me waiting for you on the corner of the street.
So I'm not moving...
I'm not moving.
I'm not moving...
I'm not moving.
People talk about the guy
Who's waiting on a girl...
Oohoohwoo
There are no holes in his shoes
But a big hole in his world...
Hmmmm
and maybe I'll get famous as man who can't be moved,
And maybe you won't mean to but you'll see me on the news,
And you'll come running to the corner...
Cos you'll know it's just for you
I'm the man who can't be moved
I'm the man who can't be moved...
Cos if one day you wake up and find that you're missing me,
And your heart starts to wonder where on this earth I can be,
Thinking maybe you'll come back here to the place that we'd meet,
And you'd see me waiting for you on the corner of the street.
[Repeat in background]
So I'm not moving...
I'm not moving.
[The Script, jovens irlandeses de Dublin chegam com uma música easy listening sobre amor e determinação e demasiado tempo livre. Eitherway, fica no ouvido, é romântica e fez-me acreditar em vontade e esperança, coisa que falta a muita gente.]
08 novembro 2008
El Laberinto del Fauno

“Espanha, 1944" Oficialmente, a Guerra Civil já terminou há cinco anos, mas um pequeno grupo de rebeldes continua a lutar, invencível, no norte montanhoso de Navarra. Ofélia, uma sonhadora com 10 anos, muda-se para Navarra com a sua mãe, grávida e frágil para conhecer pessoalmente o seu novo padrasto, Capitão Vidal, um oficial fascista com ordens para eliminar os rebeldes do território remoto. Fascinada por contos de fadas, Ofélia descobre um grandioso labirinto a desmoronar-se atrás do moinho onde se instalou o Capitão Vidal. No centro do labirinto ela conhece Pan, um velho brincalhão que diz saber a verdadeira identidade e o destino secreto de Ofélia. Ela é uma princesa, a filha desaparecida do Rei das Fadas. Pan oferece-lhe a oportunidade de voltar ao subterrâneo e governar o reino mágico do pai. Mas primeiro, ela deve executar três tarefas antes da lua cheia…
Ano: 2006
Realizaçãoe Argumento: Guillermo del Toro
Actores: Ivana Baquero, Sergi López, Maribel Verdú
O exemplo de como a imaginação, os medos e sonhos que a povoam nos levam a viver vidas que nos dão alento, ocupam o tempo, mas acima de tudo nos fazem felizes. Perante um mundo de sofrimento e contrariedade, Ofélia encontra o porto de abrigo e as missões da sua infância no sentido de prolongar a vida daqueles que ama e que vê extinguir-se a pouco e pouco. A negação de uma existência forçada e rodeada de ódio e incompreensão e que acaba necessariamente de acordo com a crueldade dos homens que almejam o poder, subjugar e torturar os outros. Mas a vida de Ofélia não pertence a este mundo, ela garantiu a sua perenidade na liberdade do seu mundo imaginário onde pode ser quem quer e onde pai e mãe se reencontram, afinal a visão da vida para além da morte, num mundo simplesmente perfeito.
08 outubro 2008
This is the Life
Poison Prince
A poetic genius is something I don’t see
why would a genius be trippin on me
And he's looking at me now
But what he can’t see
Is that I’m looking through his eyes
So many lies behind his eyes
And tell me stories from your past
Sing me songs you wrote before
I tell you this my poison prince
You'll soon be knockin on heavens door
Some kinda poison prince with your eyes in a daze
Some kinda poison prince your life is like a maze
And what we all want, and what we all crave
is an upbeat song so we can dance..
The night away
Oh who said life was easy
who said life was fair
who said nobody gives a damn and nobody even cares
The way you’re acting now like you left that all behind
You've given up, you've given in
Another sucker of that slime
02 outubro 2008
Pedro Homem de Mello (1955)
Grande, grande era a cidade... (1955)
Noite
Em lábio indecifrável e olhar baço!
Ó noite de água e sombra, vento e lume,
Tentadora e subtil como um regaço!
Ó hálito do medo! Ó flor do engano,
Irmã de quanto lobo houver faminto!
Clandestino punhal com que o cigano
Descalça a luva e desaperta o cinto...
Ó Pátria desonesta, incestuosa!
Ó prontidão do mal a cada aceno!
Suspiro... beijo... pétala de rosa...
Amor? Em vez de amor digam veneno.
Digam castigo ou crime. Não importa.
Mas digam noite na cidade morta!
Tédio
Já perdi a conta aos meses.
Dezembro? Janeiro? Maio?
Batem-me à porta, por vezes,
Não saio. Finjo que saio.
Mas regresso à velha mesa,
Por vício, não por enlevo.
Filho da própria incerteza,
Escrevo. Finjo que escrevo...
Que dia é hoje? Sei lá!
O sinal da cruz diz: mais.
E uma hora quando é má
Diz que as outras são iguais.
Nazareno
Velho, um marujo sonha... Onde ele for
Hão-de arrastar-se as cordas da viola.
Outrora, jovem, mendigava amor
E, sendo pobre, recusava a esmola.
A quem, de noite, lhe pedisse lume,
Com um sorriso ingénuo respondia...
E logo a rua má tinha perfume
E em todos os relógios era dia!
Hoje vagueia no jardim deserto.
Somente as ondas vêm bater no cais.
E a sua enxerga, sórdida, já perto,
Revela manchas que não saem mais.
Nenhuma estrela rasga a escuridão
Nenhuma prece oculta nos inspira.
Nem mesmo a glória de esconder em vão
Seus olhos, cor de pérola e safira.
Intimidade
Hás-de voltar mais loira que as espigas
Ó musa bela do meu sonho ledo!
Parávamos... cantavas-me cantigas.
Dizias-me ao partir, chorando: - É cedo.
Hás-de voltar! E a noite? E a poesia?
E tudo quanto a idade leva embora?
Talvez que um anjo, súbito, sorria
E nos conceda o olhar que se demora...
Hás-de voltar! Ao longe era a neblina.
Carícia de onde pela praia absorta...
- mas, para já, corramos a cortina!
Fechemos, meu amor, aquela porta...
Fonte
Meu amor diz-me o teu nome
- nome que desaprendi...
Diz-me apenas o teu nome.
Nada mais quero de ti.
Diz-me apenas se em teus olhos
Minhas lágrimas não vi,
Se era noite nos teus olhos,
Só por que passei por ti!
Depois, calaram-se os versos
- versos que desaprendi...
E nasceram outros versos
Que me afastaram de ti.
Meu amor, diz-me o teu nome.
Alumia o meu ouvido.
Diz-me apenas o teu nome,
Antes que eu rasgue estes versos,
Como quem rasga um vestido!
Apartamento
Lembrava seu corpo, ao longe,
Um navio naufragado...
Disse-lhe adeus. Era tarde.
Já vnha a sombra a meu lado!
Como quem, morta a esperança,
Entra em silêncio no mar,
Vi seu corpo entrar na treva...
Quis-me deitar a afogar!
Levei os lábios aos dedos.
Caiu-me a noite no peito.
Disse-lhe adeus. Era tarde.
Estava o sonho desfeito!
Tudo era noite e segredo.
Noite de pedra pesada.
Disse-lhe adeus. Era tarde.
E não lhe disse mais nada.
Companheiro
Negaram-lhe a água.
Negaram-lhe o vinho,
As rosas, o leite...
E se encontrou cama
Onde ainde se deite
É porque a beleza
É feita de mágoa.
Meu único amigo,
Meu único irmão,
Embrulhou-o a Lua
Em seu cobertor...
Meu único amigo,
Meu único irmão!
Não teve jazigo,
Não teve caixão,
Teve uma guitarra:
O meu coração.
30 setembro 2008
Jane Eyre

Jane Eyre é uma jovem órfã de pais e que acaba órfã de tio ficando à guarda de uma tia amarga que a odeia. Jane é especial, é arrebatada pela paixão de viver, pelos sentimentos. É igualmente forte o que cativa quem a ama e provoca o ódio de quem a inveja. A tia torna-lhe a vida miserável e não cumpre a promessa feita ao marido de a criar como sua filha. Por vingança, esconde a Jane que ela tem mais família e envia-a para um colégio interno - Lowood - onde a maior parte das jovens morre com uma febre provocada pelo frio e pela má alimentação.
Em Lowood, Jane conhece o valor da amizade e da perda quando a sua única amiga morre. Mas sobrevive e candidata-se a perceptora da jovem francesa Adéle em Thornfield, sob as ordens de um homem amargo, sofrido e enigmático - Mr. Rochester.
A frontalidade de Jane e o seu arrebatamento levam-na à conquista do seu lugar e ao respeito de Mr. Rochester tornando-se a sua companhia preferida. Contudo em Thornfield, os mistérios do passado assombro as noites e condenam o amor da perceptora com o dono da casa.
Adaptação da BBC para Televisão, esta mini-série de 2006 teve o dom de me fazer rir, adorar personagens sarcásticas, admirar a paciência e a calma, acreditar na paixão e no encontro de duas almas que de tão diferentes se tornaram tão iguais. Uma lição de tolerância, o revivalismo dos valores de uma Inglaterra vitoriana, a prova de que a adaptação de grandes obras (esta de Charlotte Bronte) se recomenda vivamente. São obras como esta que me lembram de como o amor só acontece quando deve, pois há forças no Universo que têm de ser alinhadas, para proporcionar a felicidade sem entraves, o quadro de família perfeito. Se há perfeição o Toby Stephens deve fazer parte dela :))
Produzido por: Susanna White
Protagonizado por: Rute Wilson e Toby Stephens
