16 junho 2013

Malick

Terrence Malick é talvez o escritor, produtor e realizador americano mais inquietante da actualidade, ou pelo menos, o que mais me inquieta. As plots prometem: a multi aclamada e recomendada Árvore da Vida foi para mim uma viagem estética com uma sequência "espiritual" de versos (ver post mais antigo). 

Já a Essência do Amor - talvez a primeira vez que o título em português faz mais sentido que o original - é apresentado como uma viagem fabulosa à Merveille (Mont Saint Michel), o que ido o ano de 2008 foi para mim a life changing experience. 

Ver um filme pensando no monumento situado entre a Bretanha e a Normandia é uma frustração, pois o mesmo aparece por breves minutos, a partir do ponto de vista de uma das personagens, por sinal a mais instável e aparentemente, sob constante efeito psicotrópico.
Infelizmente, o filme é pouco mais que o delírio de Marina, que tanto quer ser amada, que se farta de toda a ternura e até da própria filha. E eu fico sem perceber como é que alguém é tão infantil e caprichoso, pode ao mesmo tempo cativar todos à sua volta, levando-os às maiores asneiras: mas se calhar a vida é mesmo um sonho na qual estamos autorizados a cometer todos os erros (Life's a dream. In dream you can't make mistakes. In dream you can be whatever you want).

O melhor do filme acabam por ser as narrações de Javier Bardem (Father Quintana):
We wish to live inside the safety of the laws. We fear to choose. Jesus insists on choice. The one thing he condemns utterly is avoiding the choice. To choose is to commit yourself. And to commit yourself is to run the risk, is to run the risk of failure, the risk of sin, the risk of betrayal. But Jesus can deal with all of those. Forgiveness he never denies us. The man who makes a mistake can repent. But the man who hesitates, who does nothing, who buries his talent in the earth, with him he can do nothing.

Sobre o amor humano e divino:
There is love that is like a stream that can go dry when rain no longer feeds it. But there is a love that is like a spring coming up from the earth. The first is human love, the second is divine love and has its source above.


06 junho 2013

Not in this life


Não digo "nunca", não sou uma pessoa definitiva, nunca fui. Sempre fui uma pessoa de sacrifícios não anunciados e muito menos divulgados, mas por muito que doa, há sempre esperança e força para continuar a acreditar.


Lately I've been walking all alone
Through the wind and through the rain
Been walking through the streets
Finding sweet relief in knowing that it won't be long

Lately it's occurred to me
That I've had enough of that
And lately I've been satisfied by simple things
Like breathing in and breathing out

Never again, not in this life
Will I be taken twice
Never again, not on your life
Will I make that same mistake
I can't make it twice






Lately it's occurred to me
Exactly what went wrong
I realized I compromised, I sacrificed
Far too much for far too long

31 maio 2013

O Postal

Ficarmos adoentados - seja na alma seja no corpo - tem a vantagem de me reconduzir às leituras. Não às leituras técnicas e obrigatórias sobre comunicação, cultura e afins, mas às leituras que me relembram a importância das histórias e do imaginário na minha vida.

E é porque procuro histórias que alimentava uma grande curiosidade em relação a Philip Roth, autor norte-americano vastamente publicado e com milhões de livros vendidos por todo o mundo. Talvez não tenha pegado num best-seller, contudo peguei n' O animal moribundo que em tudo me apresentava o ser humano neste século em plena infância.

Philip Roth é cru na forma como se auto retrata e como fala do homem, dos seus sentimentos, pensamentos e relações. É obsceno - a roçar o nojento - elevando o sexo e a sua animalidade a um patamar que não me agrada, que esvazia o imaginário e me faz lamentar ter querido lê-lo.

Não obstante, com Philip Roth veio outra história, daquelas que só acontecem quando se compram livros em alfarrabistas. Por entre as folhas um postal - daqueles postal free que se encontram em locais comerciais e que normalmente anunciam eventos - singelas palavras escritas a roxo "não resisto à velha tendência de te deixar na caixa do correio um mimo pascal bjs doces" e uma minhoca (suposta assinatura). E a partir deste postal as perguntas para um enredo, as dúvidas quanto à relação da história de Repesh (protagonista) e a história da autora da minhoca (só uma mulher manda bjs doces) e do destinatário do postal.


21 maio 2013

Sur la piste du Marsupilami (2012)

Não é um filme de top, é uma simples comédia francesa, com um argumento frágil e óbvio, com piadas simples e quotidianas. E talvez seja por isso que se torna agradável de ver, recordando a BD belga de Franqin sobre o "leopardo de cauda longa e de olhar meigo e dócil". Com uma interpretação divertida de Jamel Debbouze (Pablito), com efeitos visuais coerentes e - claro - com uma "Céline Dion" hilariante. Um filme que pode ser visto em família, numa qualquer tarde de fim de semana.
 

28 abril 2013

Ashes (Andy Brown, 2009)

I just want my heart to fall apart, 
 I probably should have told you all along, my angel. 
 I just want your love to fade away, 
 I just want your love to fade away, to ashes. 

 Beautiful, I should have told you from the first time I saw your eyes. 
 Beautiful, I should have told you all along. 
 I just want my heart to tear apart. 

 I probably should have told you from the start, my angel. 
That I just want your love to waste away. 
And I just want this love to fade away, to ashes.



Há muito tempo que uma canção, aparentemente inócua, não falava sobre mim. Sobre um amor que não arde, sobre palavras que não foram ditas, sobre o bloqueio emocional que nunca se explicou...

22 abril 2013

Candy Dulfer & Dave Stewart

Não percebo nada de música, mas gosto muito deste Lily was Here... ainda bem que esteve porque este diálogo entre o saxofone e a guitarra é sublime!

14 abril 2013

La faute à la vie

Enquanto não regressa às gravações Jean-Jacques Goldman vai escrevendo e sendo cantado por terceiros. Aqui na voz da actual cantora favorita dos franceses, a multi premiada internacionalmente Patricia Kaas (album Sexe Fort, de 2003).

Uma letra que retrata bem a sociedade actual - a sociedade "a culpa é dos outros".

Si j'avais, si, mais si toi tu n'avais pas
Pas de replay ici, ni ralenti
Le nom des victimes inconnues, c'est nous
Mais qui est le loup, le bandit
De preuves en manque de preuves, elle avoue
C'est la faute à la vie

On peut se perdre à chercher les sentences
On peut l'enfermer, la mettre à genoux
Mais qui se protège de ses malveillances
Se prive aussi de ses goûts les plus doux
Le cheminot n'évite pas la boue
C'est le côté pile, le prix
Alors on marche en comptant les cailloux
C'est la faut à la vie

La faute à la vie... à la vie

On veut des experts, on veut des pendables
Des assurances et bons de garantie
On veut du cartésien, du raisonnable
Pas de tempête et plus de maladie
On la traite de putain, chienne ou garce
Elle nous ignore, on sourit
Jusqu'à notre mort, son ultime farce
Quand elle nous oublie

C'est la faute à la vie... à la vie

On la traite de putain, chienne ou garce
Elle nous ignore, on sourit
Jusqu'à notre mort, son ultime farce
Oui même la mort eh oui

C'est la faute à la vie... la faute à la vie