13 abril 2013

Norah Jones


Em 2009, após uma  incursão por mundos da representação, Norah Jones lançou The Fall, cujo primeiro avanço Chasing Pirates segue a onda «naif» que lhe é tão característica.
Letras simples, com melancolia e alguns problemas amorosos (de certeza que é reflexo da dita crise). A minha favorita é: «I wouldn't need you», um hino à suplementaridade: porque é que precisamos do outro? Pretty obvious to me...


Em 2012, a intérprete regressaria aos álbuns originais com Little Broken Hearts, com uma faixa oportunamente intitulada After the Fall. Mas não é esta a melhor. Happy Pills, popularizada pela série Fairly Legal, é talvez o avanço menos monótono e interessante. Trying to keep myself away from you, ‘Cause you’re bad, bad news. With you gone, I’m alive, Makes me feel like I took happy pills, And time stands still.

13 março 2013

The Magic of Belle Isle (2012)

Monte Wildhorn é um escritor de westerns a quem a perda da mulher, vítima de cancro, atirou para os meandros da tristeza, da revolta e do alcoolismo. Sem inspiração ou vontade para viver ou escrever, vê-se
 "empurrado" para Belle Isle como guardador do cão de uma estrela musical. É então que a magia regressa.

Monte conhece a família O'Neill, uma mãe recém divorciada com as suas três filhas, rapidamente fica fascinado pela personalidade de Finn, a filha do meio de Charlotte dotada de uma grande generosidade para com Carl, um jovem especial, visto como retardado pela vila. Finn é uma apaixonada por histórias e adopta Monte como seu mentor, desenrolando-se uma grande amizade entre ambos.

The Magic of Belle Isle (2012) Poster

Um filme sobre amizade entre gerações, o retrato de que todos precisamos uns dos outros nem que seja para imaginar "o que não está lá". Quando presos entre paredes, ou em salas de portas fechadas, precisamos de olhar para além do sufoco e do que nos prende a esse lugar escuro e sem ar. Monte ensina Finn a olhar para o horizonte e falar do que não está lá, permitindo-lhe assim encontrar um sentido, um motivo de vida. Mas é então que também ele encontra um motivo para "sair" da cadeira de rodas, das suas limitações físicas, e vencer as limitações da sua imaginação agrilhoada à dor da perda.

"one of the great pleasures life has to offer is their own search after the heart."

"and a face that gives the moonlight something worth shining on."

"It's sunny outside. There's a light rainfall. You know how it feels when a warm breeze comes with the rain? That's how you walk into a room."


Um filme que me fez sorrir e sentir leve!

09 março 2013

CloClo [Claude François] (2011)

Cloclo filme biográfico de Claude François, cantor e empresário musical francês tragicamente desaparecido a 11 de março de 1978, aos 39 anos.

Claude François, já por aqui o disse, foi uma referência musical da minha infância devido a uma K7 lilás comprada pela minha mãe no supermercado. O último trabalho em vida do cantor marcado pelo disco sound e cujos tubes foram Alexandri, Alexandra; Magnolia Forever e Et je T'aime tellement.



O filme mostra um cantor de multidões, versátil e inovador, que tinha por objectivos: ser bom no que fazia e ser amado. Sentiu-se mal amado e cantou-o (le mal aimé), sentiu-se aborrecido e transformou isso no maior sucesso internacional (Comme D'habitude) não propriamente em francês, mas graças à adaptação de Frank Sinatra (My Way). 

Foram essencialmente o amor e as mulheres que o inspiraram, como mostram: Rubis, L'amour vient l'amour va, , mas acima de tudo foram as relações humanas, o romantismo e a fusão de sons que o tornaram um cantor de multidões, um cantor para pobres... mas também um homem só e infeliz.

Felizmente, o cinema desfaz o mistério em torno da sua morte. Por momentos, pensei que a solidão e o comportamento impulsivo o conduziriam ao vício do álcool ou das drogas, mas o seu perfeccionismo com a aparência refrearam o "caminho mais fácil". Claude François acabaria por morrer num trágico acidente ao tentar arranjar uma lâmpada quando terminava um duche.



 Um filme realizado por  Florent Emilio Siri e protagonizado por Jérémie Renier, devidamente assessorados por Claude François Jr. e por Marc François, filhos do cantor e actuais gestores da sua herança. É evidente pelo filme que o filhos eram demasiados jovens para se lembrarem do pai, particularmente da sua obsessão com a carreira, com os detalhes e com as mulheres, e pouco abonou o corte de relações da irmã do cantor, Josette François, uma das suas relações mais estáveis e constantes ao longo da vida. Os desentendimentos não são com certeza alheios à representação de Josette e de Chouffa (mãe) como autênticas "sanguessugas" de dinheiro. Especialmente, a mãe do cantor, viciada em poker estaria na origem de graves problemas financeiros do cantor e até por um atentado a tiro de que foi vítima.

10 fevereiro 2013

Semente

Se houvesse uma semente 
Que eu pudesse semear 
Eu fazia um canteiro 
No melhor do meu jardim 
Protegia-o da geada 
Dava-lhe o sol a beijar 
Tratava do meu canteiro 
Como se fosse de mim 

E se a flor tivesse as cores 
E os reflexos da tua voz 
Se tivesse o mesmo cheiro 
E o porte que já te vi 
A guerrilha que eu teria 
Plantada no meu jardim 
Pintada na minha alma 
Se não te posso ter a ti 

(João Portugal)


Seed by Elissa Lieberman


26 janeiro 2013

The Sessions (2012)


Baseado numa história verídica, recheado de humor e de humanidade, The Sessions conta a história de Marc O'Brien, um homem que sobrevive a poliomielite que o obriga a possuir um pulmão de ferro, uma curvatura anormal do corpo e a viver deitado, pois os músculos não respondem nem têm força para suportar o corpo. Mas Marc é um lutador que apesar de confinado a uma cama, decide tirar um curso, ser poeta e jornalista. Tudo isto usando a boca para escrever e vários aparelhos adaptados. Na sua jornada conta ainda com o apoio de vários assistentes que o limpam e alimentam e com Father Brendon, o seu confessor e amigo, com quem partilha as suas angústias e aventuras amorosas (platónicas).
Até que um dia, Marc apaixona-se por uma das assistentes (Amanda) que apesar de gostar muito dele acaba por partir. Marc decide então que quer perder a virgindade e compreender o amor vivido. Motivado por entrevistas para um artigo sobre o sexo em pessoas com deficiência e pela informação da existência de terapeutas sexuais, Marc contrata Cheryl (Helen Hunt) que o ajuda a descobrir o corpo, a controlar a respiração e a erecção. 
Entre ambos desenvolve-se uma grande cumplicidade, pois apesar da deficiência, Marc cativa com a sua personalidade e preocupação em relação aos outros. Apesar de ter consciência da pena que suscita, Marc não se comporta como um "condenado", possuindo a atitude de quem agradece cada dia, cada oportunidade.
Ao descobrir o prazer do orgasmo, Marc decide terminar as sessões com Cheryl e continuar a vida que lhe está destinada, sem ilusões de amor. É então que um acidente (corte de energia) o deixa entre a vida e a morte, e ao acordar no hospital, conhece Susan, o grande amor da sua vida, que ficaria ao seu lado até à morte que chegaria poucos anos depois.

Fica assim retratada a vida do menino a quem, aos 6 anos, diagnosticaram 6 meses de vida, mas que viveu até aos 49, rodeado de amigos e procurando viver a emoção, a intensidade, a dádiva que recebera. Na sua postura, destaque para o humor, para a gentileza, para a capacidade de expressar os seus sentimentos, criando metáforas e imagens magníficas e sem se entregar ao queixume, à depressão.
Uma lição de vida, um filme arrebatador, com interpretações sensíveis e marcantes!


"poema de amor para
ninguém em particular"
(por Marc O'Brien)


Deixa-me tocar-te com as
minhas palavras

Com as minhas mãos, que são, como
luvas de pele vazias

Deixa que as minhas palavras
toquem os teus ouvidos

Deslizem pelas tuas costas e,
te dêem pontadas na barriga

As minhas mãos... leves, voando como pássaros
sem asas

Ignoram os meus desejos e
recusam teimosamente

A satisfazer os meus desejos
mais recônditos

Deixa entrar as minhas palavras
na tua mente

Carregando archotes... deixa-as entrar à
vontade dentro de ti

Para te poderem acariciar gentilmente
Dentro de ti

20 janeiro 2013

Perfect Sense (2011)

Poderia ser: o Sentido Perfeito, mas sinceramente, prefiro: Faz todo o sentido. A realização não é extraordinária, nem as interpretações de Ewan McGregor ou Eva Green, ou sequer o dilema da mulher encalhada e do homem que dorme com todas sem se apegar a nenhuma, contudo, o cenário lembra o "ensaio sobre a cegueira" numa dimensão epidémica que atinge todos os sentidos, deixando para o fim a visão.

Atrevo-me a dizer que desde o início se fala de cegueira, da cegueira pós-moderna do ser humano, mas apenas no fim se instalam as últimas consequências da perda de visão: a escuridão total.
It's dark now. But they feel each others' breath. And they know all they need to know. They kiss. And they feel each others' tears on their cheeks. And if there had been anybody left to see them, then they would look like normal lovers, caressing each others' faces, bodies close together, eyes closed, oblivious to the world around them. Because that is how life goes on. Like that. 

Primeiro veio o Severe Olfactory Syndrome, SOS onde as pessoas se sentiam miseravelmente infelizes e perdiam o sentido olfactivo; depois instalou-se o terror, a raiva e logo o sentido do sabor desapareceu, sem tempo para nomear a doença. Depois desaparece a audição, acompanhada pela destruição obscena, pelo arrependimento e pelo perdão. E ninguém sabe a causa dos sintomas, nem sabe o que vai acontecer à humanidade e enquanto isso a protagonista vai narrando a infelicidade humana e como os homens da sua vida são uns idiotas. O protagonista vai empratando comida e relatando as dificuldades do restaurante onde é chefe.

O espectador, esse, vai-se interrogando sobre a misteriosa doença que elimina os sentidos e a vida que se readapta rapidamente, apesar do sentido perdido. E de repente percebemos que os sentidos não importam nada. Importam os hábitos e a forma como se vai vivendo, como autómatos que somos.

06 janeiro 2013

Sofrimento (por Valerio Albisetti)

De um sofrimento nasce, por definição, a oportunidade de uma grande transformação da alma, de um apuramento, de um crescimento espiritual.
A vida é um movimento contínuo. Tudo se transforma continuamente, embora em silêncio.

Mesmo que seja preciso morrer... para se transformar, limpar, melhorar... para encontrarmos o tesouro que está em nós, para nos elevarmos espiritualmente.


O sofrimento surge para nos dizer alguma coisa.
A vida nasce da morte. Vive quem experimentou as derrotas, as perdas, os insucessos, os sofrimentos e a dor. Não existe nenhum viajante de espírito, ninguém que procure um sentido, que não tenha sofrido, que não tenha provado a dor e que a tenha transformado em opções, em crescimento interior.

O sofrimento esconde sempre um tesouro. Informações preciosas e desconhecidas sobre nós. É portador de mudança. Oferece-nos sempre a possibilidade de crescer.

Quando sofres,
quando sentes dor,
quando te sentes ferido,
quando te sentes desiludido,
quando te sentes confuso,
quando te sentes traído,
quando te sentes perseguido,
quando te sentes usado,
quando te sentes explorado,
quando te sentes manipulado,
quando te sentes zombado,
entra nas profundezas do teu coração.
Lá encontrarás a energia, a Luz para poder continuar a tua viagem fascinante, única e irrepetível nesta terra, apesar de fatigante.

Uma oração é autêntica quando entra no coração, quando vive no coração; aí, no âmago da nossa identidade, onde nos purificamos, onde encontramos a nossa vocação, onde dialogamos com Deus.


(Valerio Albisetti, Como atravessar o sofrimento e sair dele mais forte)