01 maio 2007

Erva Daninha Alastrar by António Variações



Só eu sei que sou terra
terra agreste por lavrar
silvestre monte maninho
amora fruto sem tratar

Só eu sei que sou pedra
sou pedra dura de talhar
sou joga pedrada em aro
calhau sem forma de engastar

A cotação é o que quiserem dar
não tenho jeito para regatear
também não sei se eu a quero aumentar
porque eu não sei

Porque eu não sei se me quero polir
também não sei se me quero limar
também não sei se quero fugir
deste animal
que anda a procurar

Só eu sei que sou erva
erva daninha a alastrar
joio trovisco ameaça
das ervas doces de enjoar

Só eu sei que sou barro
difícil de se moldar
argila com cimento e saibro
nem qualquer sabe trabalhar

Em moldes feitos não me sei criar
Em formas feitas podem-se quebrar
também não sei se me quero formar
porque eu não sei

Porque eu não sei se me quero polir
também não sei se me quero limar
também não sei se quero fugir
deste animal
que anda a procurar

[assim, subitamente, soa-me familiar... será inspiração ou coincidência, será preocupação a mais ou falta de originalidade. não sei. e não quero saber. a culpa é desta vontade cravada de te abraçar, de te sentir... de não te deixar ir! sou como a erva daninha: não tenho forma, ou polimento, não tenho caminho, nem impedimento...]

26 abril 2007

Innuendo by Queen

While the sun hangs in the sky and the desert has sand
While the waves crash in the sea and meet the land
While there's a wind and the stars and the rainbow
Till the mountains crumble into the plain
Oh yes we'll keep on tryin'
Tread that fine line
Oh we'll keep on tryin' yeah
Just passing our time
While we live according to race, colour or creed
While we rule by blind madness and pure greed
Our lives dictated by tradition, superstition, false religion
Through the eons, and on and on
Oh yes we'll keep on tryin'
We'll tread that fine line
Oh we'll keep on tryin'
Till the end of time
Till the end of time

Through the sorrow all through our splendour
Don't take offence at my innuendo

You can be anything you want to be
Just turn yourself into anything you think that you could ever be
Be free with your tempo, be free be free
Surrender your ego - be free, be free to yourself

Oooh, ooh -
If there's a God or any kind of justice under the sky
If there's a point, if there's a reason to live or die
If there's an answer to the questions we feel bound to ask
Show yourself - destroy our fears - release your mask
Oh yes we'll keep on trying
Hey tread that fine line
Yeah we'll keep on smiling yeah
And whatever will be - will be
We'll just keep on trying
We'll just keep on trying
Till the end of time


[a MediaCapital não precisa da minha contribuição «Buzziana», mas a M80 tem-me dado vida nos últimos dias... esta música é vibrante, enérgica... e eu estou em pleno innuendo existencial... :)]

PS: no título o link para o vídeo também ele espectacular!

25 abril 2007

Liberdade por Fernando Pessoa



Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...


[a liberdade para o português é não saber quem é, de onde veio nem para onde vai. é não ter de fazer nada esperando que a vida aconteça num milagre. é esperar um amanhã que há-de chegar pouco importando se é como o hoje, como o ontem... sabendo apenas que há-de vir. a liberdade em português é o eu na espera, nos dias sempre iguais...]


PS: não faças pela vida português... que sombra!


21 abril 2007

Solidão



Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar,
passear ou fazer sexo.....
isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar...
isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida...
isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado...
isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma.


Francisco Buarque de Hollanda
[a última vez que a vi - a minha alma - andava a brincar no teu olhar!]

20 abril 2007

Visual DNA



[adorei a ideia e, por conseguinte, tinha de fazer o meu perfil fotográfico. Segundo o mesmo, sou sofisticada mas sempre tendo em conta o conforto, um insecto do amor, um espírito livre e conquistador, gosto de fugir da rotina e descobrir mundo.]

19 abril 2007

Numb - Pet Shop Boys

Don't wanna hear the news
What's going on
What's coming through
I don't wanna know
don't wanna know
Just wanna hide away
make my my escape
I want the world
to leave me alone
Feels like I feel too much
I've seen too much
For a little while
I want to forget

I wanna be numb
I don't wanna feel this pain no more
Wanna lose touch
I just wanna go and lock the door
I don't wanna think
I don't wanna feel nothing
I wanna be numb
I just wanna be
wanna be numb

Can't find no space to breathe
World's closing in
right on me now
Well that's how it feels
that's how it feels
Too much light
There's too much sound
Wanna turn it off
Wanna shut it out
I need some relief
Think that I think too much
I've seen too much
There is just too much
thought in my head

I wanna be numb
I don't wanna feel this pain no more
Wanna lose touch
I just wanna go and lock the door
I don't wanna think
I don't wanna feel nothing
I wanna be numb
I just wanna be
wanna be
taken away from all the madness
Need to escape
escape from the pain
I’m out on the edge
about to lose my mind
For a little while
For a little while
I wanna be numb

All the madness
I wanna be numb

[era bom não era? podermos abrir um parentisis na vida e por momentos ausentarmo-nos do mundo, da obrigação, do tem de ser, do é... se apenas por um momento eu pudesse desligar e perder-me única e exclusivamente no teu peito, na tua respiração, em ti...]

18 abril 2007

The Lost Tumb of Jesus


E se o túmulo descoberto em Israel for mesmo o de Jesus, filho de José, sua mãe Maria, sua mulher Maria Madalena e seu filho Judas?
E se os Manuscritos do Mar Morto forem mesmo Evangelhos de contemporâneos de Jesus que foram ignorados pela Igreja Romana?
E se os Evangelhos Gnósticos, Apócrifos tiverem o mesmo valor que os Evangelhos aceites pela Igreja?
E se afinal todas as religiões assentam sobre as mesmas crenças, as mesmas palavras?

E se... ? E se...?

Já dizia Freud que as ideias religiosas são impostas ao homem como dogmas cujo conhecimento não seria possível sem o ensinamento e sem um acto de fé, face à sua não comprovada autenticidade.

O cristianismo primordial, à semelhança de outros cultos religiosos liberais constituem uma semente lançada à terra inconsciente das populações que se aloja e entranha de acordo com a existência de cada um. Aos homens coube tornar a fé coactora, proibitiva, obrigatória, retirando a essência da sua pureza, da sua excepcionalidade enquanto «culto» individual. Assim sendo, a sobreposição de uma ou outra religião encontra-se associada ao poder económico, político e social.

Portanto, quem decide sobre a veracidade, sobre a aceitação dos dogmas? O que muda com as descobertas científicas?

Para mim, rigorosamente nada!